PERU DECIDE FUTURO

ONPE confirma 2º turno entre Roberto Sánchez e Keiko Fujimori no Peru

Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, candidatos à Presidência do Peru
Keiko Fujimori (à esquerda) e Roberto Sánchez (à direita). — Foto: Stifs Paucca e Angela Ponce / Reuters

Candidatos se enfrentam em 7 de junho de 2026 em meio a crise política e denúncias. Roberto Sánchez foi confirmado por margem mínima de votos.

Nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) confirmou que Roberto Sánchez e Keiko Fujimori disputarão o segundo turno das eleições presidenciais do Peru. Este anúncio definitivo segue a meticulosa revisão de 99,94% das atas eleitorais, com Sánchez assegurando sua vaga por uma margem extremamente estreita contra Rafael López Aliaga. A decisão é crucial para uma nação que enfrenta persistente instabilidade política, ciclos de escândalos de corrupção e um aumento do crime organizado, amplificando as esperanças e ansiedades de uma população que anseia por governança eficaz e retorno à estabilidade.

Roberto Sánchez, da esquerda, garantiu sua posição no segundo turno presidencial do Peru, superando o candidato de extrema direita Rafael López Aliaga por uma diferença de apenas 18.799 votos. Com 12% dos sufrágios contra 11,9% de Aliaga na votação de 12 de abril de 2026, o ONPE declarou o resultado como irreversível após a revisão de quase a totalidade das atas eleitorais. Keiko Fujimori, da direita, já havia garantido sua participação, obtendo 17,1% dos votos.

A apuração dos votos enfrentou lentidão, marcada por contestações de atas eleitorais que prolongaram a incerteza. Diante da confirmação de sua vantagem, Sánchez declarou a jornalistas: "Estamos preparados para os desafios que nosso povo colocar", um aceno à complexa realidade peruana. O partido Renovação Popular, de López Aliaga, no entanto, reiterou o pedido para que os resultados não sejam proclamados antes da conclusão de todas as revisões pendentes.

Para o cientista político Fernando Tuesta, especialista na política peruana, a decisão da ONPE não permite mais questionamentos. "O Júri Nacional de Eleições já não pode fazer nada", afirmou Tuesta à AFP, reforçando a natureza definitiva do anúncio e a iminência do confronto eleitoral.

Sánchez e Fujimori se enfrentarão no segundo turno em 7 de junho de 2026. Este embate ocorre em meio a uma crise política prolongada que tem assolado o Peru. Desde 2016, o país presenciou oito presidentes, a maioria destituída ou forçada a renunciar devido a escândalos de corrupção, um cenário que demonstra a fragilidade institucional e a constante busca por liderança estável.

Além da instabilidade política, o Peru também enfrenta uma crescente crise de segurança, impulsionada pelo avanço do crime organizado. O cenário atual remete ao segundo turno de 2021, que também foi marcado por uma forte polarização. Naquela ocasião, Keiko Fujimori perdeu por uma margem estreita para o esquerdista Pedro Castillo.

Agora, a filha do ex-presidente Alberto Fujimori parte para sua quarta tentativa de alcançar a presidência, buscando reverter um histórico de derrotas em segundos turnos. Ela enfrentará Sánchez, de 57 anos, ex-ministro do governo de Castillo, que foi destituído e preso, e que disputa o cargo pela primeira vez, representando uma nova face na disputa pelo comando do país.

O primeiro turno foi marcado por atrasos na distribuição de material eleitoral, impedindo mais de 50 mil pessoas de exercer seu direito ao voto e forçando a extensão da votação por um dia. A missão de observação da União Europeia, embora tenha apontado "graves deficiências" no processo, não encontrou provas de fraude, apesar das persistentes denúncias de irregularidades por parte de López Aliaga.

Sánchez inicia sua campanha para o segundo turno sob a sombra de uma investigação do Ministério Público. Os promotores pediram cinco anos e quatro meses de prisão, acusando-o de um suposto crime eleitoral relacionado à declaração de informações falsas sobre contribuições de campanha entre 2018 e 2020. A acusação detalha que ele teria recebido mais de US$ 57 mil (equivalente a cerca de R$ 280 mil) em doações não declaradas à ONPE.

O caso foi inicialmente apresentado à Justiça em janeiro de 2026, mas teve parte de sua denúncia rejeitada, com os promotores orientados a reformulá-la. Uma audiência crucial está agendada para 27 de maio de 2026, quando a Justiça decidirá se o processo seguirá para julgamento ou será arquivado. Sánchez, por sua vez, nega veementemente as irregularidades, afirmando em suas redes sociais: "Durante anos tentaram sustentar uma mentira para me desacreditar politicamente".

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário