RETROCESSO EM DIREITOS

ONGs acionam ONU contra decisão do Senado sobre aborto legal de menores

Bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU).
Bandeira da Organização das Nações Unidas (ONU).

Entidades brasileiras denunciam ao Conselho de Direitos Humanos da ONU a revogação de diretrizes do Conanda para atendimento a menores vítimas de estupro, classificando a medida como um "grave retrocesso".

Um grupo de 17 organizações brasileiras de direitos humanos apresentou nesta quinta-feira, 02/07/2026, uma manifestação ao Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra. A iniciativa contesta a recente decisão do Senado de derrubar diretrizes do Conanda (Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente) que regulamentavam o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de estupro que buscam aborto legal.

A manifestação, assinada por entidades como Conectas Direitos Humanos, Plan International Brasil, Católicas pelo Direito de Decidir e Anis, Instituto de Bioética, será apresentada durante a 62ª sessão do Conselho. O objetivo é que a ONU questione o Estado brasileiro sobre a revogação da norma e atue pela retomada da resolução.

As organizações argumentam que a decisão representa um “grave retrocesso” ao enfraquecer a coordenação essencial entre os setores de saúde, assistência social, segurança pública e Justiça. Além disso, alertam que a medida tende a ampliar as desigualdades regionais e socioeconômicas no acesso a serviços garantidos por lei, impactando diretamente a dignidade e os direitos das vítimas mais vulneráveis.

O que decidiu o Senado?

Em 2 de junho de 2025, o Senado aprovou o PDL 3/2025, suspendendo a Resolução 258/2024 do Conanda. Esta norma estabelecia protocolos claros para o atendimento a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual, buscando organizar procedimentos legais que asseguram o acesso ao aborto em casos previstos pela legislação. A resolução visava garantir que menores em situações de violência sexual pudessem ter seus direitos e saúde assegurados de forma plena e respeitosa.

A Resolução 258/2024 foi objeto de críticas por parte de parlamentares conservadores, que levantaram questionamentos sobre dispositivos relacionados ao acolhimento de menores vítimas de violência sexual. A relatora do projeto no Senado, Damares Alves (Republicanos-DF), justificou a suspensão alegando que alguns trechos da norma interferiam na participação familiar durante o processo de atendimento. A decisão, no entanto, levanta preocupações sobre a proteção integral das vítimas e o acesso a direitos fundamentais.

Na denúncia apresentada à ONU, as organizações também trouxeram dados alarmantes sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil. Elas enfatizam que meninas negras e de baixa renda enfrentam, historicamente, as maiores barreiras no acesso a atendimento adequado e aos serviços previstos em lei, evidenciando a necessidade urgente de políticas públicas que combatam essas desigualdades e garantam o direito à dignidade e à saúde para todas.

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