ALERTA SANITÁRIO

OMS investiga hantavírus após mortes em cruzeiro

Imagem aérea do navio de cruzeiro MV Hondius, investigado pela OMS por mortes de hantavírus.
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus. — Foto: AFP

Três óbitos registrados em navio entre Argentina e Cabo Verde. OMS minimiza pânico, mas mantém vigilância.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) abriu uma investigação sobre um possível surto de hantavírus a bordo de um cruzeiro que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. A apuração surge após a trágica morte de ao menos três pessoas na embarcação, gerando preocupação sobre a saúde dos passageiros e da tripulação. A decisão de investigar, confirmada nesta terça-feira, 05/05/2026, busca esclarecer as causas dos óbitos e a extensão de uma possível contaminação, embora a própria OMS ressalte que não há motivo para pânico ou restrições de viagens, e o risco para o público em geral é considerado baixo.

O hantavírus, um patógeno conhecido pela comunidade médica, é transmitido principalmente por roedores silvestres e pode desencadear uma síndrome respiratória grave e potencialmente fatal. A infecção ocorre mais comumente pela inalação de partículas virais presentes na urina, fezes ou saliva de roedores contaminados, especialmente em ambientes fechados como cabanas e galpões. A transmissão direta entre pessoas é rara, mas já foi documentada em casos específicos na Argentina e no Chile, associada à variante do hantavírus Andes.

Existem duas principais manifestações da doença causada pelos hantavírus: a febre hemorrágica com síndrome renal, predominante na Europa e na Ásia, e a síndrome pulmonar por hantavírus, mais comum nas Américas. Esta última, que afeta primariamente os pulmões, é particularmente grave e pode levar à morte. Os sintomas iniciais, que surgem de uma a oito semanas após a infecção, são semelhantes aos da gripe, incluindo fadiga, febre, dores musculares e de cabeça, além de tontura, calafrios e distúrbios gastrointestinais.

Com o avanço da doença, os pacientes podem desenvolver falta de ar e insuficiência pulmonar ou cardíaca severa. Atualmente, não existe um tratamento antiviral específico para a infecção por hantavírus; o manejo é focado no suporte médico, com repouso, hidratação e controle dos sintomas. A taxa de letalidade da síndrome pulmonar por hantavírus é de aproximadamente 38%, um índice que sublinha a seriedade da condição.

No Brasil, as infecções por hantavírus são registradas predominantemente em áreas rurais. Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre os anos de 2007 e 2024, o país confirmou 1.386 casos da doença, resultando em 540 óbitos. Esses números reforçam a importância da vigilância epidemiológica e das medidas de prevenção, como o controle de roedores e a ventilação de ambientes potencialmente contaminados.

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