ALERTA GLOBAL

OMS: Hantavírus pode ter infectado passageiros de cruzeiro antes do embarque

Navio de cruzeiro MV Hondius, cenário de surto de hantavírus com três mortes.
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavírus. — Foto: AFP

Três mortes já foram confirmadas, e 149 pessoas permanecem isoladas enquanto a Espanha avalia a atracação da embarcação.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) levantou, nesta terça-feira, 05/05/2026, a hipótese de que passageiros de um navio de cruzeiro com um surto de hantavírus, que já resultou em três mortes, podem ter sido infectados antes mesmo de embarcar. A entidade não descarta, contudo, a transmissão entre pessoas em contato muito próximo a bordo, enquanto as autoridades espanholas avaliam se permitirão a atracação da embarcação para uma investigação completa. A incerteza paira sobre 149 pessoas que permanecem a bordo, em uma situação que mobiliza esforços internacionais para conter uma doença letal e evitar um surto maior.

A suspeita da OMS baseia-se no período de incubação do hantavírus, que pode variar entre uma e seis semanas. "Levando em consideração a duração do período de incubação do hantavírus, que pode variar entre uma e seis semanas, supomos que foram infectados fora do navio e pensamos que pode ter acontecido uma transmissão inter-humana, entre pessoas em contato muito próximo", explicou Maria Van Kerkhove, diretora da OMS para preparação e prevenção de epidemias e pandemias. Esta análise sugere que os infectados podem ter contraído a doença antes da viagem, mas a vigilância se mantém alta para possíveis contágios dentro do navio.

A OMS confirmou dois casos da doença e investiga outros cinco suspeitos entre passageiros e pessoas que já deixaram o navio, totalizando sete casos identificados. Dentre esses, o impacto é devastador: três mortes, um paciente em estado crítico e três com sintomas leves. Três dessas pessoas já haviam desembarcado, enquanto quatro continuam isoladas a bordo do cruzeiro MV Hondius.

Uma das vítimas fatais foi uma turista holandesa de 69 anos, que havia chegado à ilha de Santa Helena em 24 de abril com sintomas gastrointestinais. Ela embarcou no dia seguinte, 25 de abril, com destino a Joanesburgo, mas foi retirada do voo e internada, falecendo em 26 de abril, após a confirmação da infecção. Seu marido, de 70 anos, também perdeu a vida enquanto ainda estava no cruzeiro, somando-se à tragédia pessoal de muitas famílias afetadas. A organização agora busca localizar passageiros do voo que partiu de Santa Helena para Joanesburgo, para monitorar potenciais exposições. "Já iniciamos as buscas para localizar os passageiros do voo", informou a OMS em comunicado.

O navio MV Hondius tem previsão de seguir para a Espanha. Lá, uma investigação completa seria realizada. A OMS informou que as autoridades espanholas aceitaram receber a embarcação para avaliar os riscos e adotar medidas de controle, com destino às Ilhas Canárias. "Estamos trabalhando com as autoridades espanholas, que disseram que receberão o navio para realizar uma investigação epidemiológica completa, a desinfecção total da embarcação e a avaliação do risco para os passageiros a bordo", afirmou Maria Van Kerkhove.

No entanto, o governo da Espanha informou que ainda não tomou uma decisão final sobre a autorização para a atracação do navio no país. Essa indefinição prolonga a agonia dos passageiros e tripulantes a bordo, que esperam um desfecho para a crise de saúde.

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