BRASIL SE DESTACA

OIV revela: Brasil bate recorde histórico em consumo de vinho

Vinho tinto português Garrafeira dos Sócios em destaque.
Garrafeira dos Sócios, um vinho tinto português especial. — Foto: Divulgação.

Enquanto consumo global recua 2,7%, país avança 41,9% em 2025 com 4,4 milhões de hectolitros.

O Brasil celebrou um marco histórico no mercado de vinhos em 2025, registrando o maior volume de consumo de sua história. As estimativas, divulgadas nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), colocam o país como um dos raros destaques positivos em um cenário global de retração. Esse avanço notável demonstra a resiliência e o crescente apreço do consumidor brasileiro pela bebida, contrastando fortemente com a tendência de queda observada em boa parte do mundo.

Sendo o segundo maior mercado da América do Sul, o Brasil consumiu impressionantes 4,4 milhões de hectolitros em 2025. Para se ter uma ideia, um hectolitro corresponde a 100 litros. Este volume representa um salto expressivo de 41,9% em comparação a 2024, ano em que o consumo havia sido atipicamente baixo.

Em âmbito global, o cenário é desafiador: o consumo de vinho atingiu 208 milhões de hectolitros em 2025, com um contínuo declínio. A OIV aponta que as compras mundiais encolhem de forma incessante, acumulando uma queda de 14% desde 2018.

A retração global é visível nos principais mercados consumidores. Na Argentina, por exemplo, o consumo de vinho sofreu uma queda pelo quinto ano consecutivo, com uma diminuição de 2,6% em 2025 na comparação com 2024, totalizando 7,5 milhões de hectolitros.

Apenas Portugal, entre os dez maiores consumidores globais, conseguiu um crescimento em 2025, impulsionado por uma robusta demanda interna. A OIV explica que a redução generalizada do consumo mundial é multifatorial. Ela reflete tanto mudanças nos hábitos dos consumidores quanto, especialmente após a pandemia de covid-19, a impactante perda de poder de compra das famílias e o consequente aumento dos custos e dos preços dos produtos.

Três nações tiveram um papel significativo nesse movimento de retração global: Estados Unidos, França e China.

Os Estados Unidos, líderes do mercado mundial de vinhos por muitos anos, registraram uma redução de 4,3% no consumo em 2025, totalizando 31,9 milhões de hectolitros. A França, o principal mercado dentro da União Europeia, viu uma queda de 3,2%, atingindo 22 milhões de hectolitros, uma continuidade de uma tendência de declínio que já perdura por várias décadas.

Na União Europeia, que responde por 48% do consumo global, a Itália também sofreu uma retração acentuada de 9,4%, para 20,2 milhões de hectolitros. Alemanha e Espanha acompanharam essa mesma tendência negativa.

Juntamente com o Brasil, o Japão figurou entre as poucas nações a demonstrar um aumento no consumo de vinho em 2025.

A China, contudo, teve sua posição no ranking mundial de consumo de vinho comprometida. Atualmente, ocupa o 11º lugar, distante da sexta colocação que ostentava em 2020. Desde 2018, o país asiático tem reduzido continuamente suas aquisições.

Brasil expande sua área de vinhedos em contraciclo global

O progresso brasileiro no setor vitivinícola não se restringiu apenas ao consumo. Em uma clara oposição à tendência global de retração, o país também expandiu a área destinada ao cultivo de uvas para a produção de vinho, um movimento que o distingue de muitos produtores internacionais.

A Espanha, detentora da maior área de vinhedos do planeta, registrou 919 mil hectares em 2025, marcando uma redução de 1,3% em comparação a 2024. Na América do Sul, a Argentina persistiu em sua trajetória de declínio, iniciada em 2015, finalizando 2025 com 196 mil hectares, o que representa 1,9% menos que o total de 2024. O Chile, por sua vez, também continuou a diminuir sua área cultivada, com os vinhedos ocupando 154 mil hectares em 2025, uma queda de 3,7% no ano. Desde 2019, a área total do país encolheu expressivos 27%.

Em uma direção diametralmente oposta, o Brasil expandiu sua área de vinhedos pelo quinto ano consecutivo. Em 2025, o país alcançou 91 mil hectares dedicados ao cultivo, um notável crescimento de 9,6% em relação a 2024.

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