ALERTA MÉDICO URGENTE
O seu fone de ouvido pode estar prejudicando sua audição enquanto dorme
Exposição prolongada e volume alto aumentam risco de danos. Especialistas da Universidade Stanford e Johns Hopkins explicam.
Um hábito noturno comum entre milhões de pessoas pode trazer riscos à saúde auditiva e causar infecções incômodas, alertam especialistas. Adormecer com fones de ouvido, uma prática frequente para quem busca relaxamento ou combate a ansiedade, é alvo de preocupação médica, conforme reportado nesta quinta-feira, 14/05/2026. A exposição prolongada e o volume inadequado podem gerar consequências sérias, impactando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos.
Profissionais de saúde enfatizam que o problema não reside em ouvir conteúdo antes de dormir, mas sim na duração da exposição, no volume adotado e no tipo de fone. Embora muitos não enfrentem complicações graves, a prevenção com alguns cuidados essenciais pode evitar danos.

A fonoaudióloga Jennife Alyono, professora clínica associada de Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Universidade Stanford, ressalta a importância dos mecanismos naturais de ventilação e eliminação de umidade dos ouvidos. Ela alerta que certos modelos de fones, ao vedarem o canal auditivo, podem impedir esse processo vital.
Fones intra-auriculares, especialmente aqueles que vedam completamente o ouvido, retêm umidade e criam um ambiente ideal para a proliferação de bactérias, explica Jennife Alyono. O perigo aumenta para quem dorme logo após o banho ou usa os dispositivos por horas ininterruptas. Essa umidade persistente no canal auditivo é um convite para irritações e infecções que podem causar dor e desconforto consideráveis.
O cirurgião otorrinolaringologista Carrie Nieman, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, também expressa preocupação com o impacto do uso contínuo de fones intra-auriculares. Ele sugere uma técnica simples para a secagem dos ouvidos antes de dormir: usar um secador de cabelo em potência baixa, mantendo uma distância segura da cabeça, uma dica prática para evitar acúmulo de umidade.
Além do risco de infecções, especialistas alertam que o uso de fones pode levar ao acúmulo excessivo de cera. Certos modelos bloqueiam a expulsão natural da cera produzida pelo ouvido, compactando-a dentro do canal auditivo e criando uma sensação incômoda de ouvido tampado.
Zachary Schwam, cirurgião de ouvido do sistema de saúde Mount Sinai, reforça que o problema se agrava com o uso diário e prolongado. "Se você notar cera grudada na ponta dos fones, isso pode ser um sinal claro de que a compactação está ocorrendo", alerta o médico, indicando um momento para procurar ajuda.
Sintomas como sensação de ouvido tampado, coceira persistente, zumbido, desconforto constante ou redução da audição são sinais de alerta, segundo Schwam, que demandam atenção médica imediata. Carrie Nieman sugere buscar um especialista para uma limpeza profissional ou utilizar kits de remoção de cera disponíveis em farmácias, sempre com orientação para evitar lesões.
Outro risco significativo, conforme apontam os especialistas, é a irritação da pele delicada do canal auditivo, provocada pelo atrito contínuo dos dispositivos. Pequenas lesões podem surgir, tornando a região mais vulnerável a infecções dolorosas e aumentando a sensibilidade ao toque.
Um estudo preliminar aponta uma correlação entre o uso frequente de fones e uma maior incidência de irritações cutâneas. Embora a pesquisa ainda esteja em fase inicial, a comunidade médica reforça que quem usa os dispositivos durante toda a noite pode experimentar um aumento no desconforto ao longo do tempo, afetando a qualidade do sono e a tranquilidade.
Ainda mais grave é o alerta dos médicos sobre os riscos à audição. O uso prolongado de sons em volumes elevados pode levar a danos auditivos permanentes e irreversíveis, principalmente quando o hábito se estende por toda a noite. Zachary Schwam é categórico: "A exposição prolongada a sons altos pode causar danos irreversíveis à audição", uma perda que impacta a comunicação e a interação com o mundo.
Especialistas destacam que o perigo não se restringe apenas a músicas em volume altíssimo. Sons moderados, reproduzidos continuamente por várias horas, também podem comprometer a audição, variando conforme o volume e a sensibilidade individual. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece 80 decibéis como um limite relativamente seguro para exposição prolongada, um nível comparável ao burburinho de um restaurante movimentado ou ao som direto dos fones, o que evidencia a proximidade de muitos com o risco.
Pessoas que já sofrem com algum grau de perda auditiva precisam de atenção redobrada. Médicos alertam que o ato de aumentar o volume excessivamente para mascarar ruídos externos pode acelerar a progressão de problemas auditivos, agravando um quadro já existente. Felizmente, muitos celulares modernos oferecem ferramentas para monitorar e limitar automaticamente o volume dos fones, e dispositivos Android contam com aplicativos específicos para medição de decibéis, oferecendo um controle valioso para a proteção da audição.
Jennife Alyono acrescenta um risco adicional ao uso de fones com cancelamento de ruído. "Ouvir algo em volume alto ou usar fones com cancelamento de ruído enquanto dorme também pode ser perigoso se isso impedir a pessoa de escutar um alarme, por exemplo", alerta. A incapacidade de ouvir um alarme ou outro som de emergência pode ter consequências graves, colocando a segurança em xeque. Especialistas aconselham testes pré-sono para assegurar que sons ambientais cruciais ainda sejam audíveis, garantindo a tranquilidade e a segurança.
Para quem não abre mão de sons relaxantes para dormir, os médicos oferecem alternativas mais seguras, que prezam pela saúde auditiva. Fones externos, que não entram no canal auditivo, faixas de tecido com caixas de som embutidas e pequenas caixas acústicas posicionadas perto da cama são opções viáveis. Esses modelos minimizam a pressão interna e reduzem drasticamente o acúmulo de umidade, promovendo um sono tranquilo sem comprometer a audição.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário