PODER E PESO POLÍTICO

O Grande Debate: Lula com Jaques Wagner ou Flávio Bolsonaro com Michelle, quem pesa mais?

Duas pessoas debatendo em um programa de televisão.
Debate abordou o impacto de crises pessoais nas campanhas presidenciais.

Empresário e comentarista debatem o impacto de crises pessoais em campanhas presidenciais após pesquisa Atlas/Bloomberg. Saiba quem perde mais.

Na sexta-feira, 03/07/2026, o empresário Leonardo Bortoletto e o comentarista da CNN José Eduardo Cardozo analisaram a pesquisa Atlas/Bloomberg sobre o peso político de crises pessoais em campanhas presidenciais, no programa O Grande Debate. O foco foi a comparação entre a exposição de desentendimentos envolvendo Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, e a relação de Jaques Wagner com o caso Master, e seus respectivos impactos nas candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva e do senador à Presidência. O debate buscou responder quem sofre maior desgaste e por quê essa questão é crucial para o cenário eleitoral.

O levantamento Atlas/Bloomberg, que ouviu 4.999 eleitores entre 26 e 30 de junho, aponta que a maioria dos entrevistados acredita que a exposição da crise entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enfraquece a candidatura do senador. Paralelamente, a maioria também entende que a relação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o caso Master prejudica a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.

Detalhando os resultados, 37,8% dos entrevistados afirmam que a crise entre Flávio e Michelle enfraquece muito a candidatura do senador, enquanto 26,3% dizem que enfraquece um pouco. Já 22,4% consideram que o conflito não afeta a candidatura, 7,1% acreditam que fortalece muito e 2,1% que fortalece um pouco. Outros 4,4% não souberam responder. No recorte sobre Jaques Wagner (PT) e o caso Master, 32,4% consideram que a situação prejudica muito a campanha de Lula, 28,8% dizem que prejudica um pouco e 36,3% entendem que não há prejuízo. Outros 2,4% não souberam responder.

A pesquisa, realizada com recursos próprios do instituto e registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), possui margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

Análise do Peso Político das Crises

Ao analisar os dados, Leonardo Bortoletto chamou a atenção para o fato de que "pouco menos de 20% dos eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) cogitam votar em outra pessoa, mesmo que da família Bolsonaro". Para ele, isso sinaliza que movimentos recentes, como a definição de Gilberto Kassab (PSD) como vice na candidatura de Ronaldo Caiado (PSD), miram o eleitor indeciso – "aquele que não é nem lulista nem bolsonarista, aquele que está para ser encantado por alguma campanha". Bortoletto avaliou que tanto o fogo amigo de Jaques Wagner (PT-BA) quanto o de Michelle Bolsonaro prejudicam as respectivas campanhas e são um sinal do que ainda está por vir, especialmente com os desdobramentos do caso Banco Master ainda não totalmente claros.

Por outro lado, o comentarista José Eduardo Cardozo defendeu uma análise separada para os dois casos, argumentando que, do ponto de vista do dano político potencial, Lula leva vantagem em relação a Flávio Bolsonaro (PL). "Em primeiro lugar, não é Lula o atingido", afirmou Cardozo. Ele sustentou que receber um banqueiro em audiência, quando este ainda não estava sob restrição, é diferente de buscar ativamente recursos financeiros de alguém já usando tornozeleira eletrônica. "Flávio não recebeu o banqueiro, não. Ele recebeu dinheiro do banqueiro. Ele foi procurar o banqueiro depois que ele já estava com tornozeleira eletrônica", pontuou.

Caso Master e a Acusação de Michelle

Cardozo ressaltou que Lula ainda conta com o argumento político de não ter impedido investigações da Polícia Federal contra ninguém, inclusive membros do próprio governo. Já o caso envolvendo Michelle Bolsonaro representa um problema adicional e exclusivo para Flávio. "Michele Bolsonaro acusou frontalmente Flávio Bolsonaro (PL). Uma acusação dura, pesada", disse Cardozo, acrescentando que não há nenhum elemento equivalente atingindo Lula nesse sentido.

Bortoletto ponderou que, em um ambiente polarizado, afirmar que nenhum dos candidatos consegue se recuperar seria um exagero. Contudo, destacou que ambos os nomes possuem rejeições elevadas e que, caso permaneçam como os principais candidatos, "o desempate vai ser pequeno". Ele também lembrou que quem está no governo responde pelas pautas do momento – segurança, economia e corrupção –, o que representa um ônus adicional para Lula.

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