SAÚDE PÚBLICA RECEBE PROPOSTA

Novo Nordisk renova pedido para inclusão de semaglutida no SUS com desconto

Embalagem de medicamento semaglutida sendo manuseada por profissional de saúde.
Anvisa aprova primeira versão nacional de semaglutida após fim da patente da Novo Nordisk.

Empresa dinamarquesa oferece semaglutida com 59% de desconto após fim da patente. Decisão pode impactar o tratamento de milhões de brasileiros.

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A Novo Nordisk protocolou um novo pedido para incluir a semaglutida, medicamento utilizado no tratamento da obesidade e diabetes, na lista de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta, oficializada nesta terça-feira, 23/06/2026, chega com um expressivo desconto de 59% no preço, visando superar a barreira econômica que impediu a aprovação anterior. A iniciativa busca democratizar o acesso a um tratamento inovador para uma condição crônica que afeta milhões de brasileiros.

Em paralelo, o Ministério da Saúde, sob a liderança do ministro Alexandre Padilha, confirmou o início de um estudo para avaliar a eficácia e o custo-benefício do medicamento no sistema público. O Wegovy, nome comercial do medicamento em teste, será distribuído a pacientes do Grupo Hospital Conceição, no Rio Grande do Sul, um passo fundamental para a futura incorporação.

A semaglutida atua no controle do apetite e na redução do esvaziamento gástrico, promovendo a perda de peso. Sua inclusão no SUS é vista como um marco, uma vez que a rede pública carece de opções medicamentosas para a obesidade, direcionando os pacientes, na maioria das vezes, apenas para a cirurgia bariátrica, que enfrenta longas filas de espera.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), órgão responsável por decidir quais tratamentos são incorporados ao SUS, havia negado um pedido anterior da Novo Nordisk em agosto de 2025, alegando um custo potencial de R$ 3,7 bilhões em cinco anos. A nova proposta, com o substancial desconto, busca reverter essa decisão, tornando o tratamento mais viável financeiramente para o sistema público.

Os novos valores apresentados pela Novo Nordisk para a semaglutida são: R$ 396,88 para doses de 0,25mg a 1,0mg; R$ 594,49 para 1,7mg; e R$ 764,64 para 2,4mg. Com esses preços, o custo anual do tratamento seria significativamente reduzido em comparação com a estimativa anterior, abrindo caminho para uma possível aprovação pela Conitec.

É importante ressaltar que, caso o medicamento seja aprovado pela Conitec, o Ministério da Saúde poderá adquirir a substância de qualquer fabricante que a produza, uma vez que a patente da Novo Nordisk já expirou. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou uma versão nacional do medicamento após o fim da patente e possui outros 16 pedidos em análise, o que amplia o leque de opções para o SUS.

A obesidade é um grave problema de saúde pública no Brasil, com mais de 60% da população acima do peso e 25% obesa, conforme dados do Vigitel. A doença está associada a um alto número de mortes e ao desenvolvimento de comorbidades como diabetes, doenças cardiovasculares e renais, que oneram significativamente o sistema de saúde. Um único episódio de AVC, por exemplo, custa ao SUS R$ 57.910,20, enquanto o tratamento de diálise pode ultrapassar R$ 72.000 no primeiro ano.

Especialistas apontam que a inclusão da semaglutida no SUS representaria um avanço na dignidade dos pacientes, oferecendo uma alternativa medicamentosa acessível, especialmente para pessoas de baixa renda. A médica endocrinologista Maria Fernanda Barca, doutora pela Faculdade de Medicina da USP, destaca que o tratamento pode melhorar a evolução de doenças crônicas graves e evitar custos futuros mais elevados com complicações. A falta de opções estruturadas para a obesidade no SUS, além da cirurgia bariátrica, deixa a maioria dos pacientes sem tratamento medicamentoso adequado, como ressalta a médica Maria Edna de Melo, coordenadora do Departamento de Advocacy da Abeso.

O estudo com pacientes obesos que aguardam cirurgia bariátrica no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, previsto para iniciar este ano, analisará o impacto do Wegovy e auxiliará na definição de um protocolo para a incorporação. O ministro Alexandre Padilha enfatizou a importância de avaliar se o medicamento pode levar pacientes a um patamar em que a cirurgia bariátrica se torne desnecessária ou possível, gerando economia para o sistema de saúde. A incorporação da semaglutida, tema ventilado pelo ministro desde 2025, ganha força com a queda da patente e a oferta de preços mais competitivos, abrindo novas perspectivas para o tratamento da obesidade no Brasil.

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