ABASTECIMENTO
Noronha teme crise energética e hídrica em meio a conflito global
Ilha depende de diesel para gerar eletricidade e dessalinizar água; estoque atual dura cerca de um mês.
Em um cenário de crescentes tensões geopolíticas no Oriente Médio, os moradores de Fernando de Noronha expressam profunda preocupação com a vulnerabilidade do abastecimento de energia e água na ilha. A dependência crítica de óleo diesel importado para a geração elétrica e dessalinização da água coloca em risco a continuidade de serviços essenciais, ameaçando diretamente a dignidade e a rotina diária de toda a comunidade insular.
A energia elétrica em Fernando de Noronha é gerada exclusivamente a partir da queima de óleo diesel. Além disso, a maior parte da água distribuída pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) provém do mar e é processada por usinas de dessalinização, um sistema que, por sua vez, exige grande consumo energético para operar.
Nino Alexandre Lehnemann, presidente da Assembleia Popular Noronhese (APN), enfatiza a apreensão dos habitantes: “Noronha é uma ilha isolada e depende totalmente do abastecimento vindo do continente, o que a coloca em situação de vulnerabilidade extrema. O fornecimento de diesel, vital para gerar energia, é um ponto absolutamente crítico.”
Ele detalha os potenciais impactos de uma eventual falha no abastecimento de combustível: “Uma interrupção prolongada pode causar problemas graves. Não apenas a energia seria afetada, mas também serviços básicos como água, transporte, turismo e, consequentemente, toda a economia da ilha.”
Questionando a preparação para cenários adversos, Lehnemann indaga sobre a existência de planos de contingência: “Há estoque suficiente de combustível na ilha? Quais medidas foram adotadas para garantir o fornecimento de energia em situações extremas?”, e direciona sua preocupação à Neoenergia, responsável pela produção local de energia: “Existe um plano estruturado, alternativas de geração ou protocolos de emergência para enfrentar uma possível crise de combustível?”
Para o presidente da APN, estas são perguntas preventivas que visam assegurar a segurança energética da ilha por meio de planejamento e transparência.
Em resposta, a Neoenergia informou, por meio de nota oficial, que possui um plano de contingência robusto, incluindo uma reserva estratégica de combustível para ser utilizada em momentos de dificuldade no abastecimento. A empresa ressaltou ainda que a legislação brasileira prioriza o transporte de combustível para usinas termelétricas, como a de Noronha, que são cruciais para a geração de energia. Segundo a Neoenergia, órgãos reguladores como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o Operador Nacional do Sistema (ONS) e o Ministério de Minas e Energia (MME) estabelecem regras para garantir a continuidade do abastecimento de combustível, especialmente em emergências.
A Compesa, por sua vez, esclareceu que é cliente da Neoenergia e, portanto, sua capacidade de fornecimento de água depende intrinsecamente da regularidade energética provida pela empresa.
Fernando de Noronha conta com apenas um posto de combustível, responsável por abastecer veículos e embarcações com gasolina e óleo diesel. O diretor do estabelecimento, Rafael Coelho, afirmou que a ilha dispõe de um estoque considerável: “Temos combustível suficiente para cerca de um mês de consumo. Mantemos o volume no limite máximo possível, garantindo que a situação, neste momento, está sob controle.”
Coelho também explicou que o posto não comercializa etanol devido à falta de estrutura para armazenar mais um tipo de combustível e ao alto custo de transporte, que tornaria o produto inviável financeiramente para a população local. Recentemente, o preço do litro do diesel sofreu um aumento de 5,53%, passando de R$ 10,85 para R$ 11,45, enquanto a gasolina é vendida a R$ 10,89.
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