TRANSPARÊNCIA JÁ!

Nikolas Ferreira pede CPMI para Banco Master e defende Flávio Bolsonaro em meio a polêmicas

Deputado Nikolas Ferreira discursando em uma sessão parlamentar.
O deputado Nikolas Ferreira durante sessão em 8 de abril de 2026.

Parlamentar cobra explicações sobre polêmicas envolvendo Daniel Vorcaro e questiona repercussão de casos no governo Lula.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou suas redes sociais para defender o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e pedir a instalação de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para o Banco Master, nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026. A manifestação do parlamentar ocorre após o vazamento de conversas entre o senador e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e reflete a indignação com a suposta menor repercussão de controvérsias envolvendo o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Nikolas Ferreira questionou a disparidade na atenção midiática e pública para escândalos diversos no país. “São muitos os escândalos que nosso país vem sofrendo. São notícias diárias de proporções gigantescas, como o escândalo do INSS ou dos contratos milionários envolvendo o Banco Master e ministros, além de pessoas ligadas ao governo Lula”, declarou o deputado em sua publicação. “E a pergunta que fica é: Por que nenhuma tem a repercussão e indignação do que aconteceu hoje?”, instigou, ressaltando o sentimento de injustiça percebido por ele e seus apoiadores.

Para o deputado, a CPMI é a única via para desvendar todos os fatos relacionados às ações de Vorcaro, visto que há "milhares de perguntas que precisam ser esclarecidas". Em um tom desafiador, Ferreira sentenciou: “Quem agora silenciar, estará acusando o seu medo e, consequentemente, sua culpa”, direcionando sua crítica àqueles que pudessem se omitir diante das investigações.

A polêmica em torno do Banco Master se aprofunda com a menção de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas investigações. Figuram entre os citados o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Este último recebeu uma doação de R$ 2 milhões para sua campanha de 2022 de Fabiano Zettel, apontado como sócio oculto do Master.

O próprio Nikolas Ferreira também teve seu nome vinculado à Prime You, uma empresa outrora conectada a Daniel Vorcaro. O deputado utilizou um jato da companhia durante o segundo turno das eleições de 2022, entre 20 e 28 de outubro daquele ano, para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro (PL). À época, Ferreira defendeu-se afirmando que a logística do voo foi organizada por terceiros, e que não lhe caberia responder por eventuais desdobramentos envolvendo o sócio da empresa proprietária.

ENTENDA O CASO

A reportagem do Intercept revelou que, em 2025, Flávio Bolsonaro teria solicitado a Daniel Vorcaro a quantia de US$ 24 milhões (equivalente a cerca de R$ 134 milhões na cotação da época). Vorcaro se comprometeu a efetuar o pagamento em 14 parcelas, mas, segundo a reportagem, apenas US$ 10,6 milhões (R$ 61 milhões na cotação da época) foram efetivamente repassados. Apesar de confirmar o pedido de patrocínio, o senador não detalhou os valores envolvidos.

Em 8 de setembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou um áudio a Vorcaro, cobrando as parcelas atrasadas referentes ao financiamento do filme. Na gravação, o senador expressou sua preocupação com os atrasos, alertando para os impactos negativos que a falta de pagamento poderia acarretar na produção cinematográfica. “Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel [ator que interpreta Bolsonaro no filme], num Cyrus [Nowrasteh, diretor do filme], os caras, pô, renomadíssimos lá no cinema americano e mundial. Pô, ia ser muito ruim”, afirmou Flávio no áudio.

Ouça o áudio da cobrança:

Os repasses foram intermediados pela Entre Investimentos e Participações, controlada por Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, que também detém o comando da revista IstoÉ. Em março de 2026, a instituição de pagamentos Entrepay, pertencente ao Grupo Entre, foi liquidada pelo Banco Central.

As transferências foram direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas, Estados Unidos. Paulo Calixto, advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), irmão de Flávio, figura entre os agentes do fundo.

RELACIONAMENTO

A aproximação entre o senador Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro teve início em dezembro de 2024. O empresário Thiago Miranda, então proprietário do Portal Leo Dias, atuou como mediador do contato inicial.

Miranda informou a Vorcaro que Flávio Bolsonaro manifestava interesse em discutir o financiamento da produção cinematográfica e possíveis acordos publicitários, garantindo ao ex-banqueiro que o senador estava “ciente de todos os detalhes”. Ou seja, já havia uma intenção clara de negociar.

O primeiro encontro presencial entre Flávio e Vorcaro aconteceu em 11 de dezembro de 2024, na residência de Vorcaro, em Brasília.

Em 16 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem a Vorcaro, tratando-o como “irmão” e assegurando-lhe apoio “sempre”. Curiosamente, no dia seguinte, 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi detido pela Polícia Federal durante a operação Compliance Zero.

FLÁVIO RESPONDE

Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, o senador Flávio Bolsonaro reiterou a “fundamental” necessidade de instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banco Master.

Segundo o senador, o caso se resume a um “filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai, sem o uso de verbas públicas ou da Lei Rouanet”, o que, para ele, descaracteriza qualquer ilicitude.

Flávio Bolsonaro foi enfático ao declarar: “Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”. Sua defesa enfatiza a ausência de benefícios ou interferências indevidas.

A íntegra da nota de Flávio Bolsonaro:

“Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.”

Leia mais:

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