PRESENÇA BRASILEIRA ESCASSA
Newsletter internacional dos EUA menciona o Brasil em apenas 10% das edições
Publicação norte-americana Semafor Flagship destacou o país em pautas sobre família Bolsonaro, terras-raras e meio ambiente. Brasil é 11ª economia mundial.
Temas relacionados ao Brasil apareceram com pouca frequência no noticiário internacional selecionado pela newsletter Semafor Flagship, dos Estados Unidos. A publicação, que tem como objetivo filtrar as informações mais relevantes do mundo, mencionou o país em apenas 10 das mais de 100 edições diárias veiculadas de janeiro a maio de 2026.
A newsletter Semafor Flagship, nesta sábado, 13/06/2026, costuma marcar em um mapa-múndi os países com notícias consideradas mais importantes em cada edição. Por sua origem norte-americana, a publicação tende a privilegiar a cobertura sobre os Estados Unidos, mas também frequentemente destaca Venezuela, China e Cuba.
A primeira aparição do Brasil nas publicações de 2026 ocorreu em 23 de janeiro, quando a Semafor noticiou a indicação de Wagner Moura, ator brasileiro, ao Oscar de melhor ator pelo filme “O Agente Secreto”. A produção, contudo, não foi vencedora nas quatro categorias em que foi indicada.
Em fevereiro, o país retornou ao mapa-múndi da newsletter com a notícia da chegada de um mexilhão invasor que causa danos às espécies nativas da Amazônia. O mexilhão-dourado, originário da Ásia, já havia sido registrado anteriormente na Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.
Abril registrou a maior incidência de notícias sobre o Brasil. O principal destaque foi o anúncio da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência, com a nota intitulada pelo veículo como “o retorno da família Bolsonaro”. No mesmo mês, a compra da mineradora Serra Verde pela empresa norte-americana USA Rare Earths por US$ 2,8 bilhões foi publicada, gerando discussão sobre a exploração de recursos minerais brasileiros por outros países, mesmo que a mineradora nunca tenha pertencido de fato ao Brasil.
No final de abril, a newsletter reportou que a Embraer atingiu um recorde na carteira de encomendas para o primeiro trimestre de 2026, alcançando US$ 32,1 bilhões em pedidos, um crescimento de 22% em relação ao mesmo período de 2025. Em 1º de maio, a Semafor noticiou a derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao projeto de lei da dosimetria, definida como uma vitória para o ex-presidente Jair Bolsonaro. A votação na Câmara resultou em 318 votos contra e 144 a favor da manutenção da medida, enquanto no Senado os placares foram de 49 a 24, respectivamente.
Em 8 de maio, o Brasil apareceu duas vezes: o encontro de Lula com o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), foi definido pela newsletter como um momento “estabilizador” entre os países; e também foi abordado o avanço da PEC do fim da escala 6x1. O último registro de notícias brasileiras ocorreu em 27 de maio, com a publicação sobre a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Trump. A nota mencionou a conexão do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro, descrito pela publicação como “disgraceful financer”, ou “financista desonrado”. O Brasil também foi incluído em índices sobre produção de petróleo e escassez de dinheiro em espécie, ao lado de outros países latino-americanos.
Apesar de ser a 11ª maior economia do mundo, com PIB de R$ 12,7 trilhões, o país teve uma presença rasa no noticiário selecionado pela Semafor. A relevância do Brasil, segundo a publicação, concentra-se em pautas relacionadas a recursos naturais, meio ambiente e política, em contraste com o foco principal da newsletter em conflitos, guerras e mercados de petróleo e terras-raras, temas que geralmente refletem os interesses das grandes potências.
A Semafor, empresa de mídia independente fundada em 2022, possui uma newsletter gratuita, a Semafor Flagship, com mais de 1 milhão de assinantes por e-mail, focada em executivos de alto escalão corporativo. Criada pelos jornalistas Justin B. Smith e Ben Smith, o objetivo da plataforma é “trazer uma lente global para um mundo em fragmentação”. Em 2026, a empresa registrou US$ 40 milhões em receita e US$ 2 milhões em lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Lajida).
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