INADIMPLÊNCIA EM QUEDA

Natal registra menor inadimplência em 11 anos, contrariando tendência nacional

Natal vai na contramão do país e tem a menor inadimplência em 11 anos.
Natal vai na contramão do país e tem a menor inadimplência em 11 anos.

Pesquisa da CNC e Fecomércio RN aponta para 22,7% de famílias com contas em atraso em maio, menor índice desde 2015.

Em um cenário econômico desafiador, as famílias de Natal celebraram um marco financeiro positivo: a inadimplência atingiu seu menor patamar em 11 anos. A decisão de priorizar o pagamento de dívidas, em vez do consumo imediato, resultou na menor taxa de contas em atraso registrada para o mês de maio desde o início da série histórica em 2015. Essa melhora expressiva, evidenciada pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada pelo Instituto Fecomércio RN (IFC), representa um alívio significativo para a dignidade financeira dos cidadãos potiguares, permitindo que recuperem o controle sobre suas finanças e o equilíbrio de seus orçamentos.

Os dados revelam que apenas 22,7% das famílias natalenses possuíam contas em atraso em maio de 2026. Esse índice representa uma queda impressionante de 16,2 pontos percentuais em comparação com o mesmo mês de 2025, quando a inadimplência alcançava 38,9%. A redução, que também foi de 1,8 ponto percentual em relação a abril de 2026, reforça uma tendência de melhora contínua.

Famílias de Natal conseguem quitar dívidas em ritmo inédito.
Famílias de Natal conseguem quitar dívidas em ritmo inédito.

Apesar do cenário de juros elevados, que historicamente pressiona o bolso do consumidor, os natalenses optaram por uma postura financeira mais cautelosa. Em vez de expandir o consumo, parte das famílias direcionou recursos extras para a quitação de débitos e a reorganização do orçamento doméstico. Essa estratégia de austeridade presente visa garantir maior capacidade financeira no futuro, quando as condições de crédito podem ser mais favoráveis.

Para Wilson Figueiredo, economista do Instituto Fecomércio RN, a queda na inadimplência está diretamente ligada à melhora das condições de renda e emprego observadas no Estado. "Isso é renda crescendo. As pessoas com emprego, renda. E aí está sobrando um dinheirinho extra e as pessoas estão colocando suas contas em dia. Os juros estão muito altos. Então, é melhor colocar a conta em dia do que pagar juros", afirma.

Wilson Figueiredo, economista do Instituto Fecomércio RN, analisa os dados.
Wilson Figueiredo, economista do Instituto Fecomércio RN, analisa os dados.

O movimento demonstra uma mudança de comportamento: ao reduzir dívidas em atraso, as famílias abrem mão do consumo imediato para assegurar um futuro financeiro mais estável. "Se a pessoa está colocando a conta em dia em vez de consumir, ela está sendo mais austera em relação ao consumo. Mas ela ajusta suas contas hoje para consumir no futuro, quando os juros estiverem mais baixos e a renda estiver mais equilibrada", explica. Essa decisão prudente fortalece a dignidade e a segurança financeira individual.

É importante ressaltar que, apesar da queda na inadimplência, o endividamento em Natal permanece elevado, afetando 83,2% das famílias, o equivalente a 235.368 lares. No entanto, estar endividado não se confunde com inadimplência. "Endividado é quem tem dívida. Todos nós somos endividados. Se você usou o cartão de crédito para abastecer o carro ou fazer uma compra, você tomou crédito e vai pagar depois. Outra coisa é ser inadimplente, que é quando existe uma dívida em atraso", esclarece Wilson Figueiredo. Dos endividados, 64.368 famílias apresentavam contas em atraso em maio, a maioria com prazo inferior a 90 dias.

A queda acentuada na inadimplência em Natal contrasta com a tendência nacional de aumento do endividamento. O cenário local, com conjuntura favorável à redução de dívidas em atraso, ganha destaque. O cartão de crédito lidera como instrumento de endividamento (83,5%), seguido por carnês (17,2%). Contudo, os consumidores parecem administrar melhor suas obrigações financeiras, reduzindo atrasos sem necessariamente cortar o acesso ao crédito.

A perspectiva para os próximos meses é positiva, com expectativa de novas reduções na inadimplência. A continuidade da geração de empregos e a manutenção de juros altos incentivam o comportamento conservador. "O cenário é bastante otimista. A gente vê essa queda acontecendo ao longo dos últimos 12 meses. Acreditamos que as pessoas vão continuar nesse ritmo uma vez que os juros continuam em patamares muito elevados. Ou seja, o custo da dívida é muito alto", afirma Wilson Figueiredo. Essa melhora nos indicadores tende a impulsionar a economia local, recuperando o acesso ao crédito e fortalecendo o consumo e a circulação de renda.

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