CRIANÇAS A ESPERA
Natal enfrenta crise na inclusão escolar e deixa alunos sem suporte
Audiência na Câmara Municipal revela falta de estrutura e profissionais, com 11 crianças fora da sala de aula.
A qualidade da educação inclusiva em Natal recebeu um alerta urgente na sexta-feira, 15 de maio de 2026, quando a Câmara Municipal de Natal expôs graves deficiências que comprometem o desenvolvimento de milhares de crianças e adolescentes com deficiência. Em uma audiência pública, parlamentares, educadores e especialistas cobraram do Executivo a ampliação de investimentos e a contratação de profissionais para o Atendimento Educacional Especializado (AEE), com o vereador Daniell Rendall anunciando um projeto de indicação que busca fortalecer essa área crucial. A discussão revelou um cenário preocupante, onde a falta de suporte adequado impede a permanência e o aprendizado de muitos alunos, gerando impacto direto na dignidade e no futuro de comunidades inteiras.
Durante o encontro, o Vereador Daniell Rendall (Republicanos) anunciou que encaminhará um projeto de indicação ao Executivo para fortalecer o AEE. A iniciativa visa aprimorar o suporte oferecido aos estudantes, fundamental para a inclusão plena e o desenvolvimento de suas potencialidades.
O cenário é crítico: cerca de 4.800 pessoas aguardam laudo na rede pública de saúde, o que projeta um aumento significativo na demanda por atendimento especializado nas escolas municipais nos próximos meses. Essa fila de espera representa vidas em suspenso, crianças que perdem tempo precioso de aprendizado e desenvolvimento.
Daniell Rendall ressaltou as lacunas atuais: a rede conta com 140 professores em salas de recursos multifuncionais e apenas 24 intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras). A realidade exige a contratação de pelo menos mais 50 profissionais para que a inclusão seja, de fato, efetiva. "Precisamos ampliar a inclusão, não apenas o acesso", afirmou o parlamentar, destacando a urgência de uma mudança real.
A professora Cláudia Fabião, emocionada, defendeu melhorias na estrutura das unidades escolares e mais investimentos em equipamentos e materiais acessíveis para os alunos. Ela enfatizou a necessidade de formação continuada e uma integração verdadeira entre os profissionais da educação. "Não podemos falar de inclusão sem olhar para a realidade das salas de recursos multifuncionais. Precisamos de equipamentos modernos, materiais acessíveis e, acima de tudo, tempo garantido para que professores especialistas, auxiliares e regentes trabalhem juntos pelo desenvolvimento do aluno com deficiência", declarou, sublinhando o esforço coletivo necessário para cada avanço.
A neuropsicopedagoga Rosynelle Darllany alertou para a sobrecarga que pesa sobre os educadores e a ausência de suporte pedagógico adequado nas escolas da rede municipal. Seus dados revelam a dimensão do problema: a Escola Municipal João Paulo II, por exemplo, possui 96 alunos com laudo e outros 50 em processo de investigação diagnóstica. O mais doloroso é que 11 estudantes estão sem frequentar as aulas devido à ausência de acompanhamento adequado, um cenário inaceitável para uma cidade que preza pela dignidade de seus cidadãos.
"Incluir não é só matricular. É garantir permanência e desenvolvimento dessas crianças", destacou a especialista durante o debate. Sua fala ecoa o sentimento de pais e profissionais que lutam por uma educação que realmente acolha e desenvolva cada estudante, sem deixar ninguém para trás.
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