FIM DA SOLTURA

Natal conclui liberação de mosquitos que reduzem transmissão da dengue

Mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia sendo liberados em Natal.
Mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia sendo liberados em Natal.

Natal encerra a etapa de liberação de mosquitos com Wolbachia, estratégia que visa diminuir a incidência de doenças como dengue, zika e chikungunya. Monitoramento da bactéria inicia agora.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Natal encerrou, nesta terça-feira, 30/06/2026, a etapa de soltura dos mosquitos com Wolbachia, conhecidos como ‘Wolbitos’. A decisão marca o fim da fase de liberação dos insetos, que integram uma estratégia para reduzir a transmissão da dengue, zika e chikungunya na cidade. Agora, a prioridade passa a ser o monitoramento da presença da bactéria Wolbachia nos mosquitos locais. Os primeiros resultados concretos da intervenção são esperados para cerca de um ano após o início das liberações.

Os bairros onde as solturas foram realizadas incluem Alecrim, Areia Preta, Candelária, Capim Macio, Dix-Sept Rosado, Mãe Luiza, Neópolis, Nossa Senhora de Nazaré, Ponta Negra, Quintas, Redinha, Rocas e Santos Reis. Durante a fase de implantação, a SMS informou que um aumento temporário na quantidade de mosquitos em algumas áreas era esperado e considerado parte do processo de implementação do método.

Mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia sendo liberados em Natal.
Mosquitos Aedes aegypti com a bactéria Wolbachia sendo liberados em Natal.

Os Wolbitos são mosquitos Aedes aegypti que portam a bactéria Wolbachia. Presente naturalmente em mais da metade dos insetos no planeta, a bactéria, quando transmitida pelos Wolbitos aos mosquitos locais, dificulta o desenvolvimento e a disseminação dos vírus da dengue, zika e chikungunya. A SMS ressalta que o Método Wolbachia é uma medida segura, natural e autossustentável, que complementa outras ações de combate às arboviroses.

A estratégia tem suas raízes na inauguração, em outubro de 2025, de uma biofábrica no bairro Felipe Camarão. Fruto de uma parceria entre a Prefeitura de Natal, o World Mosquito Program (WMP Brasil), o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a unidade de aproximadamente 400 metros quadrados é responsável pela produção dos Wolbitos. As instalações incluem salas para triagem, criação de larvas, lavagem, estoque e montagem dos tubos para as liberações em campo.

Na cerimônia de inauguração, Geraldo Pinho, então secretário municipal de Saúde, descreveu a iniciativa como um investimento em prevenção. Ele destacou a importância da nova tecnologia para a redução de casos de dengue, zika e chikungunya, reforçando que a saúde envolve prevenção e cuidado contínuos. O secretário de Estado da Saúde Pública, Alexandre Motta, acrescentou que os efeitos da estratégia são observados a longo prazo, possivelmente cerca de dois anos após o fim das liberações, e salientou o avanço da ciência no combate a essas doenças.

A estratégia em Natal é complementar a outras medidas municipais de enfrentamento às arboviroses. Entre elas, estão a vacinação contra a dengue para crianças de 10 a 14 anos, o Levantamento Rápido de Índices para Aedes (LIRAa), o trabalho dos Agentes de Combate às Endemias e o monitoramento por ovitrampas, em uso na cidade desde 2015. A primeira fase do projeto previu cerca de 20 semanas de liberações em 33 bairros da capital.

O World Mosquito Program atua globalmente em 15 países, e o Método Wolbachia está presente no Brasil desde 2012. Niterói (RJ) foi o primeiro município brasileiro a cobrir todo o seu território com a estratégia. Dados de 2024 indicam que a cidade registrou uma redução de 89% nos casos de dengue em comparação com o período de 2007 a 2016. Durante a maior epidemia de dengue do Brasil em 2024, Niterói apresentou uma incidência de 374 casos por 100 mil habitantes, índice significativamente menor que a média estadual e nacional.

Relativamente aos casos de dengue, o boletim epidemiológico mais recente da SMS, referente às semanas epidemiológicas 1 a 24 de 2026, aponta uma tendência de redução de 59,5% nos casos prováveis de arboviroses em comparação com o mesmo período de 2025. Entre 4 de janeiro e 20 de junho de 2026, Natal notificou 1.217 casos de arboviroses, sendo 1.100 casos prováveis. Desses, a dengue representou 89,1%, seguida pela chikungunya (8,5%) e zika (2,5%). Especificamente para a dengue, foram registrados 980 casos prováveis, 353 confirmados e uma incidência de 130,33 casos por 100 mil habitantes, sem óbitos confirmados até a 24ª semana epidemiológica. Os dados são preliminares e podem sofrer atualizações.

No âmbito estadual, dados da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) para as semanas 1 a 22 de 2026 contabilizam 6.205 casos notificados de dengue, 4.074 prováveis, 1.147 confirmações e um óbito. Nas últimas três semanas epidemiológicas registradas, o estado do Rio Grande do Norte apresentou um aumento nos casos de dengue em comparação com o mesmo período de 2025.

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