EDUCAÇÃO DE IMPACTO

Música, código e literatura transformam escolas públicas no Brasil

Crianças aprendendo programação com robôs em uma sala de aula pública no Brasil.
Alunos em sala de aula aprendendo robótica com blocos físicos.

Iniciativas inovadoras em redes municipais de São Paulo, Boa Vista e Recife aproximam estudantes de tecnologia, arte e leitura, moldando o futuro e a dignidade na sala de aula pública.

A tecnologia, antes vista como distante, agora permite que crianças em escolas públicas do Brasil montem robôs e aprendam a programar. Esse cenário, antes restrito a instituições privadas, torna-se realidade em diversas regiões, com redes municipais de ensino integrando música, programação e literatura ao currículo. O resultado transcende as notas: alunos e professores demonstram maior engajamento e uma nova percepção do que é possível alcançar no ambiente público.

Inovação que floresce na prática

Diante de desafios estruturais na educação pública, como desigualdade de acesso e defasagem de aprendizagem, iniciativas promissoras emergem no cotidiano escolar. A Fazer Educação, especializada em inovações pedagógicas e tecnológicas, atua em parceria com secretarias para viabilizar projetos que combinam materiais didáticos, formação de professores e tecnologia educacional. João Moacir Filho, diretor da Fazer Educação, enfatiza que a conexão com a realidade escolar é crucial. "A educação precisa fazer sentido no cotidiano escolar. Não se trata apenas de oferecer ferramentas ou conteúdos, mas de garantir que eles sejam aplicados, considerando os desafios concretos de cada território", explica. Cada projeto é moldado às características da rede parceira, assegurando aplicabilidade e relevância.

Harmonia e ritmo na capital paulista

Em São Paulo, 27 escolas municipais, muitas delas em Centros Educacionais Unificados (CEUs), mais de 2,5 mil alunos do 1º ano exploram os fundamentos da linguagem musical sem instrumentos tradicionais. O projeto, idealizado pelo maestro João Carlos Martins e desenvolvido com a Somos Educação, com atuação da Fazer Educação, utiliza elementos cotidianos, voz e corpo. A proposta, alinhada ao Currículo da Cidade e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), desenvolve ritmo, coordenação motora e percepção musical, fortalecendo o desenvolvimento cognitivo, emocional e social dos estudantes. A iniciativa abre portas para que alunos avancem, futuramente, para a leitura de partituras.

Leitura: um passaporte para novos universos

O projeto Minha Biblioteca, em São Paulo, amplia o acesso a obras literárias para estudantes do ensino fundamental ao médio, e da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Mais do que a distribuição de livros, a iniciativa posiciona a leitura como elemento estruturante da formação, reconhecendo que o letramento literário aprimora a capacidade de compreensão, expressão e pensamento crítico em todas as áreas do conhecimento.

Pensamento computacional sem telas

Em Boa Vista, Roraima, o projeto Meu Primeiro Código, da Matatalab, introduz o pensamento computacional de forma lúdica em escolas da zona rural. Por meio de blocos físicos e sequências de comandos, crianças aprendem lógica, criatividade e resolução de problemas, desenvolvendo habilidades essenciais para o futuro sem o uso de telas. O CEO da Matatalab destaca que a experiência prática aproxima os alunos da tecnologia, fomentando protagonismo e raciocínio lógico desde cedo.

Reconhecimento internacional para a inovação no campo

O trabalho com robótica e programação em Boa Vista rendeu à Escola Municipal Balduíno Wottrich o Selo ODS Educação 2025, em Recife, em março de 2026. O selo reconhece projetos alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O assessor pedagógico da secretaria municipal celebrou o reconhecimento como fruto de um trabalho coletivo, enquanto a vice-gestora da escola reforçou que o contexto rural impulsionou a identidade do projeto, provando que a educação do campo pode ser inovadora e conectada ao mundo.

Resultados que impulsionam o futuro

Os projetos da Fazer Educação são acompanhados continuamente para avaliar o aprendizado e orientar ações pedagógicas. João Moacir Filho ressalta que, além dos indicadores de proficiência, são observados o engajamento dos estudantes, a participação dos professores e a incorporação das novas práticas. O objetivo é construir projetos com sentido para cada realidade, com parcerias de longo prazo que transformem boas práticas em parte integrante do currículo de cada escola pública brasileira. A Fazer Educação já beneficiou mais de 4 milhões de estudantes e formou mais de 160 mil docentes em cerca de 500 municípios.

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