GOLPE DE ADOLESCENTE

Mulher de 37 anos finge ter 12 e é presa por estelionato após golpes no RS e SC

Ilustração: mulher de 37 anos, com aparência de criança, sorri maliciosamente.
Ilustração retrata mulher de 37 anos que fingia ser criança para aplicar golpes.

Investigada por estelionato e falsa identidade, mulher de 37 anos enganou famílias e autoridades em cinco cidades do Rio Grande do Sul antes de ser presa em Santa Catarina.

Uma mulher de 37 anos, que se passava por uma criança de 12, foi presa em Santa Catarina após aplicar golpes em pelo menos cinco cidades do Rio Grande do Sul. A mulher, identificada como Amanda Maria Souza Oliveira, viveu por mais de um ano na casa de uma família em Joinville (SC) sob o nome falso de Gabrielle. A decisão pela prisão preventiva ocorreu na última quarta-feira, 3 de julho de 2024, após a repercussão do caso e a confissão dos crimes. Esta revelação expõe a vulnerabilidade de sistemas de acolhimento e a gravidade de fraudes que exploram a boa-fé.

Segundo a Polícia Civil, a suspeita transitou por Porto Alegre, Cachoeirinha, Caxias do Sul, Pinto Bandeira e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Seu modus operandi consistia em se apresentar como uma criança em situação de vulnerabilidade para receber moradia, alimentação e cuidados destinados a menores de idade, desvirtuando o propósito desses amparos.

André Mocciaro, delegado da Divisão Especial da Criança e do Adolescente do RS, explicou que a mulher manipulava o próprio sistema de proteção social. "A partir do momento que ela se diz vítima de um crime sexual, ela busca atendimento na saúde pública ou em abrigos para conseguir documentos que possam dar subsídios à intenção dela de enganar uma família.", afirmou. Essa tática evidencia um abuso da confiança pública e dos serviços sociais.

Ainda de acordo com Mocciaro, a suspeita chegou a ficar seis meses detida no RS em 2021, respondendo por estelionato, falsa identidade e uso de documento falso. No mesmo ano, aos 33 anos, Amanda foi acolhida em um abrigo para adolescentes em Porto Alegre, onde alegava ter 11 anos. Uma perícia foi fundamental para constatar sua verdadeira idade.

"Ela teve uma internação psiquiátrica e lá, com o Instituto Geral de Perícias, se identificou que ela realmente era adulta", relatou Cinara Dutra Braga, promotora de Justiça que acompanhou o caso. Esse episódio demonstra a complexidade de identificar fraudadores que exploram a fragilidade aparente.

Em 2024, a tentativa de golpe em Pinto Bandeira, na Serra do RS, foi frustrada quando o Conselho Tutelar desconfiou da história apresentada. A ação rápida do conselho levou à autuação da mulher por uso de documento falso, embora tenha sido liberada na ocasião. A investigação em andamento abrange os crimes de estelionato e falsa identidade.

Amanda permanece presa em Joinville. Sua defesa informou que solicitará um exame de sanidade mental, aguardando a conclusão da perícia para elucidação completa das circunstâncias. O caso levanta debates sobre a segurança e os protocolos de verificação em instituições de acolhimento.

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