INVESTIGAÇÃO NA PMCE

Policial militar é presa por suspeita de participação em homicídio e esquema criminoso

Foto da policial militar Júlia Natália Girão Gomes.
Júlia Natália Girão Gomes, investigada por participação em crime.

Júlia Natália Girão Gomes e seu companheiro são alvos de operação após morte de soldado; defesa contesta legalidade da prisão em flagrante.

A soldado Júlia Natália Girão Gomes, integrante da Polícia Militar do Ceará, foi presa por suspeita de envolvimento no homicídio de Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, cujo corpo foi encontrado carbonizado dentro de um veículo em Itaitinga, na região metropolitana de Fortaleza. A detenção ocorreu na última terça-feira (11), dia em que a militar também foi autuada por suspeita de participação em uma rede de fraudes digitais.

O caso, que choca pela conexão entre a atividade policial e o crime organizado, envolve ainda o companheiro da soldado, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior. Ele foi detido no mesmo dia por posse de munições e documentos falsos. As investigações, coordenadas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, apontam que o casal operava um esquema de comercialização de contas falsas para aplicativos de transporte.

Sobre a formalização da custódia, o advogado Walmir Medeiros, que defende a policial, manifestou discordância técnica quanto à modalidade da prisão. Segundo a defesa, por ter se apresentado espontaneamente às autoridades, a militar não deveria ter sido autuada em flagrante, procedimento que o representante jurídico argumenta ser cabível apenas em situações diversas.

A Secretaria da Segurança Pública esclareceu o histórico funcional da soldado. Júlia Natália ingressou na PMCE em novembro de 2024, após concluir o Curso de Formação de Soldados. A pasta destacou que o ingresso da militar no quadro da corporação ocorreu anteriormente à prática dos ilícitos investigados, e que ela cumpriu todas as etapas do certame, incluindo o Teste de Aptidão Física (TAF), sem registros desabonadores na fase de investigação social concluída em 2022.

O inquérito, que teve origem após denúncia de uma empresa de transporte em junho de 2025, aponta que o grupo criminoso era composto por treze pessoas. Enquanto Antoneudo é identificado como o articulador das fraudes, a soldado é apontada como colaboradora, fornecendo dados pessoais e instrumentos financeiros para viabilizar as atividades ilícitas da organização.

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