CAIXA-PRETA MILIONÁRIA

MPTCU exige investigação sobre financiamento de filme de Bolsonaro

Sede do TCU (Tribunal de Contas da União) com bandeiras e céu azul
Na imagem, sede do TCU (Tribunal de Contas da União)

Documento detalha suposto uso de incentivos fiscais, emendas parlamentares e patrocínio do Banco Master para “Dark Horse”

O Ministério Público junto ao TCU (MPTCU) solicitou, nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, que a Corte de Contas investigue possíveis irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida, proposta pelo subprocurador Lucas Furtado, visa apurar o suposto uso de emendas parlamentares, benefícios tributários, incentivos fiscais e mecanismos financeiros com o objetivo de ocultar a origem dos patrocínios, especialmente do Banco Master. Este cenário levanta sérias questões sobre a transparência no uso de recursos públicos e a ética na política, impactando a confiança da sociedade nas instituições.

A representação de Furtado menciona reportagens que detalham os diálogos entre o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre aportes para a produção audiovisual. A negociação envolveria o pagamento de R$ 124 milhões para o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente transferidos pela empresa Entre Investimentos. Há suspeitas de que o próprio Vorcaro seja o proprietário oculto dessa empresa.

O subprocurador também destaca uma reportagem do Poder360 que revela a produtora do filme, Go Up Entertainment, como parte de uma rede de empresas e organizações ligadas à empresária Karina Gama. Gama teria acertado o recebimento de, ao menos, R$ 110,8 milhões em recursos públicos. Como sócia-administradora da Go Up e presidente de organizações culturais, Karina Gama recebeu R$ 2,8 milhões em emendas parlamentares de deputados do PL e firmou um termo de colaboração que previa o recebimento de R$ 108,8 milhões da Prefeitura de São Paulo.

Para o MPTCU, essas evidências demandam uma investigação rigorosa do TCU sobre o emprego de verbas públicas no financiamento da produção. Tal cenário contradiz diretamente a declaração do senador Flávio Bolsonaro de que o filme teria captado apenas recursos privados, gerando desconfiança e a necessidade urgente de clareza para a sociedade.

Além disso, o Ministério Público junto ao TCU solicitou diligências junto à Receita Federal, Ancine (Agência Nacional do Cinema), Banco Central, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o compartilhamento de informações essenciais à apuração da Corte de Contas. A decisão, que marca o início de um processo investigativo, não é definitiva e abre caminho para análises aprofundadas sobre o fluxo financeiro.

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