BEM-ESTAR ANIMAL

MPRN exige ação da Prefeitura de Alexandria por animais de rua

MPRN exige ação da Prefeitura de Alexandria por animais de rua

Prazo de 90 dias para plano ético e 10 dias para prefeitura informar adesão. Medida impacta milhares de vidas no interior do RN.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) recomendou à Prefeitura de Alexandria, nesta sexta-feira, 08/05/2026, a implementação urgente de um plano ético e abrangente para o manejo de cães e gatos em situação de rua. A medida, que busca assegurar a saúde animal e combater maus-tratos, exige que a administração municipal mapeie, resgate e abrigue os animais, além de criar programas de castração, impactando diretamente a dignidade de milhares de vidas e a saúde pública na cidade.

A Promotoria de Justiça estabeleceu um prazo de noventa dias para que o Município desenvolva um plano detalhado, definindo metas claras e destinando os recursos financeiros necessários. O objetivo central é garantir que a administração pública cumpra sua função essencial de cuidar da saúde dos animais e impedir a continuidade de práticas cruéis frequentemente associadas ao abandono.

Entre as exigências apresentadas pelo Ministério Público, destaca-se a necessidade de resgatar animais abandonados e encaminhá-los para locais apropriados. Esses abrigos devem oferecer condições adequadas de higiene, alimentação e espaço, contando com acompanhamento veterinário e estrutura compatível com o atendimento das necessidades dos animais. O documento prevê a criação de espaços separados para cães e gatos, além de áreas específicas para animais doentes, garantindo um tratamento humanizado.

Caso Alexandria não possua um canil municipal próprio, a Prefeitura deverá buscar parcerias estratégicas com clínicas veterinárias, universidades ou organizações não governamentais. Esse compromisso de colaboração deve ser formalizado no prazo máximo de dois meses, buscando soluções eficazes para a demanda existente.

Além da infraestrutura de abrigo, o MP também recomendou a implementação de um programa gratuito e contínuo de castração cirúrgica. Este programa deve ser voltado tanto para animais de rua quanto para aqueles que pertencem a famílias de baixa renda, visando ao controle populacional ético. A proposta inclui, ainda, a implantação de microchips para a identificação dos animais atendidos pelas ações públicas, facilitando o monitoramento e a responsabilização.

O órgão reforçou que o recolhimento dos animais não pode ocorrer de forma indiscriminada. A prioridade deve ser direcionada a casos de urgência, como animais feridos, em situação de risco ou em evidente abandono. A recomendação é taxativa: a eutanásia não deve, em hipótese alguma, ser utilizada como mecanismo de controle populacional, reiterando o compromisso com a vida e o bem-estar animal.

A Prefeitura de Alexandria e as secretarias envolvidas têm dez dias para informar oficialmente à Promotoria de Justiça se irão cumprir as recomendações. Se as medidas forem aceitas, os gestores terão mais 45 dias para apresentar um cronograma das obras do abrigo municipal ou a documentação que comprove a formalização das parcerias com instituições privadas e entidades de proteção animal.

O Ministério Público alertou que o não cumprimento das recomendações poderá resultar na adoção de medidas judiciais severas, com a consequente responsabilização dos gestores públicos por eventuais irregularidades administrativas, sublinhando a seriedade do compromisso exigido pela instituição em prol da causa animal.

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