VÍDEOS CHOCANTES
MPRJ e Polícia Civil investigam creche clandestina por agressões em São Gonçalo
Mães denunciam maus-tratos após filhos apresentarem machucados e emagrecimento. Local operava sem alvará e funcionárias foram afastadas.
A Polícia Civil do RJ e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) iniciaram investigações sobre denúncias de maus-tratos a crianças em uma creche clandestina no bairro Pacheco, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. A decisão de apurar os fatos e fiscalizar o local veio à tona após mães obterem vídeos alarmantes de agressões e exporem o caso nas redes sociais, revelando um cenário de vulnerabilidade e sofrimento infantil que exige respostas urgentes e medidas protetivas para as vítimas.
As mães, desesperadas com as mudanças de comportamento dos filhos, conseguiram flagrar as agressões praticadas por, pelo menos, duas funcionárias e, em um ato de coragem, expuseram os vídeos nas redes sociais. A ocorrência foi prontamente registrada na 75ª DP (Rio do Ouro), e o MPRJ também abriu uma investigação. Gisele Santos, diretora da creche, anunciou o afastamento das funcionárias envolvidas. O estabelecimento, que não abriu as portas nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, teve sua situação administrativa exposta pela Prefeitura.
O que as imagens mostram
As imagens que chocaram a comunidade mostram cenas de extrema crueldade. Em um dos vídeos, uma mulher pressiona um travesseiro contra o rosto de uma criança deitada no chão, em uma tentativa brutal de forçá-la a dormir. O choro abafado do pequeno é acompanhado por xingamentos proferidos pela agressora. Outro registro capta uma funcionária erguendo um aluno pelos ombros e o arremessando com força em uma cadeira, enquanto grita ordens e a criança clama em dor.
O relato comovente de uma das mães ao Bom Dia Rio revela o tormento vivido pelas famílias. Ela retirou o filho do local há dois meses, após notar uma forte resistência da criança em ir à creche e o surgimento frequente de machucados. "Ele chorava muito e me agarrava, implorando: ‘Mãe, não, não, mãe!’. Comecei a desconfiar, porque ele estava emagrecendo muito", recordou a mãe. Em uma ocasião, o menino retornou da creche com o corpo roxo. Ao questionar a proprietária, a resposta foi sempre evasiva: "Ah, bateu no pula-pula", um discurso padrão repetido a todas as mães. Vizinhos da creche também confirmam que ouviam o choro constante das crianças, um indício do que acontecia por trás dos muros.
O que dizem as autoridades
A Prefeitura de São Gonçalo confirmou que o estabelecimento opera sem alvará de funcionamento para creche ou ensino infantil, classificando-o como "clandestino, sem o devido licenciamento sanitário, educacional e de posturas, em total desacordo com a legislação municipal". A unidade também carece da autorização do Conselho Municipal de Educação (CME). Em uma ação conjunta, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, policiais civis, agentes da Subsecretaria de Fiscalização de Posturas e fiscais da Vigilância Sanitária compareceram ao local, que estava fechado. Membros do CME deixaram uma notificação. O MPRJ, através da Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Proteção à Educação do Núcleo São Gonçalo, já havia registrado de ofício uma notícia de fato no sábado, 16 de maio de 2026, para coletar informações e acionou o Conselho Tutelar, a Vigilância Sanitária e a Defesa Civil, buscando uma resposta ampla e coordenada.
O que diz a creche
Em um vídeo divulgado, Gisele Santos, diretora da creche, declarou que a instituição "não compactua com os fatos ocorridos" e informou que "as funcionárias envolvidas foram afastadas". Ela acrescentou que a creche "se coloca à disposição para colaborar com as autoridades e declara seu total apoio às mães", garantindo que "providências estão sendo tomadas" diante da gravidade da situação.
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