DINHEIRO SUMIU
MPMS combate desvios em tapa-buracos e prende ex-secretário
Operação Buraco Sem Fim apreende R$ 429 mil em espécie e investiga contratos de R$ 113,7 milhões. Rudi Fiorese, ex-secretário de Obras, está entre os detidos.
Uma vasta quantia de R$ 429 mil em espécie foi apreendida em imóveis de suspeitos, como parte da Operação Buraco Sem Fim, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) na terça-feira, 12 de maio de 2026. A ação desvendou supostos desvios milionários e fraudes em contratos de manutenção viária e tapa-buracos em Campo Grande, prometendo impactar diretamente a qualidade da infraestrutura urbana e a confiança dos cidadãos.
A dimensão dos valores impressiona: em uma das residências ligadas a um servidor, foram descobertos R$ 186 mil em dinheiro vivo. Em outro endereço, os investigadores encontraram mais de R$ 233 mil, também em espécie. Esses montantes, que deveriam estar investidos em serviços essenciais para a população, evidenciam a magnitude do esquema investigado, que subtraía recursos destinados à melhoria das vias públicas.
A operação, conduzida pelo MPMS em conjunto com Gecoc e Gaeco, resultou no cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e dez de busca e apreensão. Entre os alvos das diligências, estava a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), indicando a profundidade da apuração sobre a gestão pública.
Um dos detidos é Rudi Fiorese, ex-secretário de Obras de Campo Grande e atual diretor da Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul). A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Seilog), responsável pela Agesul, informou, por meio de nota, que tomou conhecimento da operação, mas esclareceu que a pasta não é alvo da investigação. A Seilog salientou que a participação de Fiorese se refere à sua atuação anterior na Secretaria de Obras da capital e anunciou que ele será exonerado de seu cargo na Agesul.
O Ministério Público detalha que o grupo criminoso supostamente manipulava medições de serviços para receber pagamentos por trabalhos incompletos ou sequer realizados. Este modus operandi teria não apenas causado desvio de dinheiro público e enriquecimento ilícito dos envolvidos, mas também comprometido severamente a qualidade das vias da cidade, forçando os motoristas e pedestres a conviverem com buracos e problemas estruturais que poderiam ter sido evitados.
A investigação aponta que, no período entre 2018 e 2025, a empresa envolvida na operação recebeu mais de R$ 113,7 milhões em contratos e aditivos com o poder público. Os mandados judiciais que autorizaram a operação foram emitidos no âmbito de uma rigorosa apuração de crimes contra a administração pública e outros delitos relacionados, visando restaurar a integridade e a transparência na gestão dos recursos públicos.
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