CRIME E POLÍTICA
MPE aperta cerco a candidatos ligados ao crime organizado nas eleições
Com o objetivo de blindar o processo eleitoral de 2026, o Ministério Público Eleitoral estabeleceu um prazo de 10 dias para que os partidos apresentem medidas contra a infiltração de facções e milícias.
O Ministério Público Eleitoral (MPE) estabeleceu um prazo de 10 dias, a partir da sexta-feira, 26 de junho de 2026, para que os partidos políticos apresentem suas estratégias de combate à infiltração de facções criminosas, milícias e outras organizações com atuação ilícita nas eleições de 2026. A iniciativa visa blindar o processo democrático contra a influência indevida de grupos criminosos, protegendo a integridade da escolha popular e a dignidade dos eleitores.

Casos recentes ilustram a gravidade da situação. Em 2024, em Santa Quitéria, no Ceará, a Justiça Eleitoral cassou os mandatos do prefeito reeleito José Braga Barroso (PSB), o Braguinha, e do vice-prefeito Francisco Gardel Mesquita Ribeiro (PP). As investigações apontaram a atuação de integrantes da facção Comando Vermelho (CV) para influenciar o pleito, com denúncias de ameaças a eleitores e apoiadores de opositores, além de suspeitas de compra de votos via distribuição de drogas. Uma nova eleição foi determinada para o município.
No Rio de Janeiro, a Justiça Eleitoral também atuou em Belford Roxo para impedir candidaturas com vínculos suspeitos a grupos criminosos. Luiz Eduardo Santos de Araújo (PL), conhecido como Eduardo Araújo e candidato a vereador, teve o registro indeferido por suposta ligação com milícia. Da mesma forma, Fabinho Varandão (MDB) teve a candidatura rejeitada pela Corte eleitoral pela mesma razão. Ambos chegaram a ocupar cargos de secretário na gestão do ex-prefeito Márcio Canella (União Brasil).
Em São Paulo, relatórios de inteligência indicaram a infiltração do crime organizado no processo eleitoral de 2024. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) confirmou que 12 pessoas investigadas por possíveis ligações com organizações criminosas foram eleitas no estado, sendo 10 vereadores e dois prefeitos.
Diante desse cenário preocupante, o MPE recomenda que os partidos implementem filtros rigorosos antes mesmo do registro oficial das candidaturas. A orientação é para que as legendas estabeleçam mecanismos de controle ainda na fase das convenções partidárias, onde os nomes que disputarão as eleições são definidos.
- Exigência de certidões criminais de pré-candidatos em todas as esferas da Justiça estadual e federal.
- Análise do histórico social, atuação territorial e compatibilidade patrimonial dos postulantes.
- Criação de comissões internas de ética para examinar situações suspeitas.
- Proibição da participação, nas convenções, de filiados com envolvimento público e notório com facções criminosas.
- Exclusão de candidatos com esse perfil dos pedidos de registro encaminhados à Justiça Eleitoral.
- Comunicação imediata ao MPE diante de indícios de financiamento ilegal de campanhas ou de submissão a organizações criminosas.
Essas diretrizes foram elaboradas pelo Grupo de Trabalho de Combate ao Crime Organizado no Âmbito Eleitoral e distribuídas aos procuradores regionais eleitorais, que as repassarão aos diretórios partidários. Para o MPE, a preocupação transcende o financiamento irregular de campanhas, pois o avanço do crime organizado sobre a política representa um risco à segurança pública, podendo ser usado para ampliar o domínio territorial de facções, intimidar eleitores, influenciar contratos públicos e ocupar espaços no Estado.
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