AÇÃO CIVIL PÚBLICA
MPDFT aponta engenharia predatória em publicidade de Virgínia Fonseca para Blaze
Ministério Público pede condenação solidária de R$ 120 milhões e fim imediato de campanhas que utilizam relações parassociais para induzir apostas.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma Ação Civil Pública contra a influenciadora Virgínia Fonseca e a empresa Foggo Entertainment Ltda, responsável pela plataforma Blaze, sob a acusação de utilizar estratégias de manipulação comportamental para atrair apostadores. O movimento, formalizado pelo promotor Paulo Binicheski, sustenta que a publicidade realizada durante a Copa do Mundo é parte de um sistema de exploração de vulnerabilidades cognitivas, carecendo de transparência sobre o caráter comercial das postagens.
Conforme o documento apresentado, as práticas investigadas incluem a utilização de "ilusões e ocultações" para minimizar o senso crítico do público, especialmente ao explorar a "relação parassocial" estabelecida entre a influenciadora e seus seguidores. Nesta sábado, 11/07/2026, o órgão reforçou que a indução ao erro ocorre pela percepção do consumidor de que a recomendação seria um gesto pessoal de confiança, e não uma ação publicitária estratégica.
A gravidade da conduta, segundo o MP, reside na escala massiva da captação, que contribui para o superendividamento de famílias de baixa renda. A denúncia aponta que a Blaze teria movimentado valores bilionários, utilizando celebridades para conferir credibilidade a uma dinâmica que, na prática, frequentemente resulta em retenção de fundos e bloqueio de contas dos usuários.
O MPDFT solicita ao Poder Judiciário a condenação solidária dos réus ao pagamento de uma indenização por danos morais coletivos fixada em R$ 120 milhões — valor calculado com base em 20% da receita bruta anual estimada da plataforma. O processo, que ainda admite recurso das partes, requer também a interrupção imediata das campanhas publicitárias que violam o Código de Defesa do Consumidor.
Em nota, a Foggo Entertainment Ltda informou que ainda não foi formalmente intimada, mas reafirmou compromisso com as diretrizes de Jogo Responsável. A defesa de Virgínia Fonseca declarou que as alegações serão respondidas tecnicamente nos autos, refutando qualquer tese de conluio ou prática predatória, e ressaltou que a ação do MPDFT antecipa conclusões antes mesmo da entrega de documentos contratuais essenciais.
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