ALERTA NOS APLICATIVOS

Mortes em acidentes com motocicletas disparam com expansão de aplicativos de entrega

Motociclista em movimento em uma estrada urbana.
Acidente envolvendo motocicleta nas vias urbanas do Brasil.

Atlas da Violência 2026 aponta que 15.459 óbitos envolveram motocicletas em 2024, um aumento de 38% desde 2019. Estudo relaciona alta ao trabalho em aplicativos.

O Brasil registrou 15.459 mortes envolvendo motocicletas em 2024, um aumento de 38% em relação a 2019. Os dados, divulgados nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) no Atlas da Violência 2026, revelam um cenário preocupante com a expansão da economia de aplicativos.

Em 2024, o trânsito brasileiro contabilizou 37.150 mortes, sendo que 41,6% delas envolveram motocicletas. Em 2014, esse percentual era de 28,7%, com 12.604 óbitos. Embora o número absoluto de mortes no trânsito tenha caído 20% na última década, a alta nas ocorrências com motos chama atenção.

O estudo identifica que a popularização dos aplicativos de entrega transformou a motocicleta em ferramenta essencial de trabalho e subsistência para muitos brasileiros, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Essa dinâmica, no entanto, expõe os trabalhadores a riscos elevados.

Em cinco anos, de 2019 a 2024, os óbitos de motociclistas subiram de 11.182 para 15.459. A taxa de óbitos no trânsito em 2024 foi de 17,5 por 100 mil habitantes, uma leve queda em relação a 2014 (21,9 por 100 mil), mas a tendência de crescimento rápido preocupa os pesquisadores. A pressão por produtividade, a falta de proteção social e as longas jornadas de trabalho colocam os entregadores entre os grupos mais vulneráveis a acidentes fatais no ambiente urbano.

“O jovem ainda não está formado em sua capacidade de consequência e, em todas as situações, está mais exposto ao risco”, alerta Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência e técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea. Ele acrescenta que o serviço de mototáxi amplia esse risco, atingindo tanto o condutor quanto o passageiro.

No Piauí, por exemplo, as motocicletas estiveram associadas a 72,7% das mortes no trânsito em 2024, índice significativamente superior à média nacional de 41,6%. Cerqueira defende medidas urgentes como a redução de velocidade, investimento em educação para o trânsito, melhorias na infraestrutura e segurança viária, além de aprimoramentos na gestão, fiscalização e regulamentação.

Sobre homicídios, o Atlas da Violência 2026 aponta que em 2024 o Brasil registrou 29.870 mortes por armas de fogo, uma redução de 8,8% em relação a 2023 e de 31,2% em comparação a 2014. As armas de fogo foram responsáveis por 70,1% dos homicídios no país, o menor índice da década. Entretanto, alguns estados, como Amapá (100% de aumento), Roraima (61,7%) e Pernambuco (9,9%), apresentaram crescimento absoluto de mortes por arma de fogo.

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