DOENÇA RENAL CRÔNICA
Morre Benedito Ruy Barbosa, autor de novelas icônicas, aos 95 anos
O renomado dramaturgo, criador de "Pantanal" e "O Rei do Gado", lutava contra a insuficiência renal crônica há três anos. A condição afeta milhões e, se não tratada, compromete a saúde.
O dramaturgo Benedito Ruy Barbosa faleceu nesta terça-feira (07/07/2026), aos 95 anos, em São Paulo. Reconhecido por obras marcantes como "Pantanal", "O Rei do Gado" e "Renascer", Benedito Ruy Barbosa enfrentava a insuficiência renal crônica há três anos. A informação foi confirmada pelo hospital Hcor, onde o autor estava internado.
O boletim médico do Hcor também apontou que o escritor possuía histórico de reinternações devido a infecções recorrentes no trato urinário, uma complicação frequente em pacientes com a condição.
A insuficiência renal crônica, também conhecida como doença renal crônica (DRC), é uma perda gradual e irreversível da função dos rins. Essa condição, que impacta a saúde de milhões de pessoas, é caracterizada por alterações na estrutura ou no funcionamento dos rins que persistem por mais de três meses, conforme define o Ministério da Saúde. A DRC muitas vezes avança silenciosamente, com sintomas que só se manifestam em estágios avançados, quando a capacidade dos rins de filtrar o sangue já está significativamente comprometida.
Os rins desempenham um papel vital no organismo, atuando como filtros para eliminar resíduos e substâncias desnecessárias, além de manterem o equilíbrio hídrico e de sais minerais. Quando essa função declina, toxinas podem se acumular na corrente sanguínea, provocando uma série de efeitos prejudiciais, como inchaço, fadiga extrema, náuseas, perda de apetite, anemia, desregulação da pressão arterial e desequilíbrios eletrolíticos.

A progressão da doença renal crônica
A gravidade da DRC é avaliada principalmente pela taxa de filtração glomerular (TFG), um índice que mede a eficiência com que os rins filtram o sangue. Quanto menor a TFG, maior o dano renal e os riscos associados. O Ministério da Saúde divide a doença em cinco estágios, indicando a severidade da perda funcional:
- Estágios 1 e 2: Alterações iniciais, com função renal ainda preservada.
- Estágio 3: Redução moderada da capacidade renal.
- Estágio 4: Perda grave da função dos rins.
- Estágio 5: Estágio avançado, podendo necessitar de terapias substitutivas.
Em fases mais críticas, pacientes podem precisar de diálise (hemodiálise ou diálise peritoneal) ou transplante renal, tratamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Hipertensão e diabetes: vilões da saúde renal
As causas da DRC são diversas, mas a hipertensão arterial e o diabetes mellitus se destacam como os principais fatores que levam à perda avançada da função renal. Essas condições crônicas danificam progressivamente os vasos sanguíneos e as estruturas filtradoras dos rins. O envelhecimento da população e a crescente incidência dessas doenças crônicas tornam a DRC um desafio de saúde pública global. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença renal crônica afete cerca de 10% da população mundial, e no Brasil, sua prevalência é de 6,7% entre adultos, triplicando em indivíduos acima de 60 anos.
Diagnóstico precoce: um aliado contra o avanço da doença
Apesar de sua natureza muitas vezes silenciosa, a DRC pode ser identificada precocemente por meio de exames acessíveis e de baixo custo, como a dosagem de creatinina no sangue para cálculo da TFG e exames de urina que detectam a presença de proteínas. O diagnóstico precoce, aliado a um tratamento adequado e ao controle dos fatores de risco, pode retardar significativamente a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Na maioria dos casos, a insuficiência renal crônica não tem cura, mas o tratamento visa controlar as causas, prevenir novas lesões e prolongar ao máximo a função renal remanescente.
Os dados do Ministério da Saúde revelam um aumento expressivo nos atendimentos relacionados à DRC na Atenção Primária à Saúde no Brasil, saltando de aproximadamente 74 mil registros em 2019 para mais de 188 mil em 2023. Da mesma forma, as internações por esta causa cresceram de 84,3 mil em 2010 para 140,6 mil em 2023. A maioria dos atendimentos na atenção primária, entre 2019 e 2023, concentrou-se em pessoas entre 50 e 79 anos, reforçando a ligação entre a doença e o processo de envelhecimento populacional.
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