VOOS SUSPEITOS
Moraes pede parecer da PGR em caso de malas sem raio-x em voo com Hugo Motta
Polícia Federal apura facilitação de contrabando e prevaricação em aeronave que transportou deputados e senador em abril de 2024.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta terça-feira, 28/04/2026, que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre uma complexa investigação da Polícia Federal. O caso, que chegou ao STF devido ao envolvimento de parlamentares, apura a entrada de cinco malas no Brasil sem passar por raio-x, a bordo de um voo particular que transportava o presidente da Câmara, Hugo Motta, entre outras autoridades. A exigência de manifestação da PGR sublinha a seriedade das acusações e a importância de uma apuração rigorosa para a manutenção da dignidade e confiança nas instituições públicas e na conduta de seus representantes.
O centro desta investigação remonta a abril de 2024, quando uma aeronave, de propriedade do empresário Fernando Oliveira de Lima, conhecido por seus sites de apostas, partiu da paradisíaca ilha de São Martinho, no Caribe. O destino era o Aeroporto Executivo Internacional Catarina, localizado em São Roque, SP.
A bordo deste voo particular estavam figuras proeminentes da política nacional: o presidente da Câmara, Hugo Motta, os deputados federais Dr. Luizinho (PP-RJ) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL), além do senador Ciro Nogueira (PP-PI).
O Ministério Público aponta que, na data do desembarque, o auditor fiscal Marco Antônio Canella supostamente permitiu que o tripulante José Jorge de Oliveira Júnior retirasse cinco malas da aeronave e deixasse o aeroporto sem a devida inspeção pelos equipamentos de raio-x. Tal procedimento levanta sérias questões sobre a segurança aeroportuária e a fiscalização de entrada no país.
Diante desses fatos, a Polícia Federal iniciou uma investigação aprofundada, centrada em suspeitas de facilitação de contrabando e prevaricação, condutas que comprometem a integridade dos controles de fronteira e a ética no serviço público.
Com o progresso das apurações e a confirmação da presença de parlamentares no voo, o processo foi remetido ao Supremo Tribunal Federal. A Corte assume a competência para julgar o caso, em respeito ao princípio do foro privilegiado, que se aplica a deputados e senadores.
A distribuição do processo por sorteio no STF ocorreu na última quinta-feira, 23/04/2026, com o ministro Alexandre de Moraes sendo designado relator, assumindo a condução dos trâmites iniciais.
A equipe de reportagem buscou contato com os parlamentares citados, mas até o momento não obteve retorno. Da mesma forma, tentativas de localizar a defesa do empresário Fernando Oliveira de Lima estão em andamento. O espaço permanece aberto para manifestações.
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