JUDICIÁRIO EM XEQUE

Moraes critica uso do STF como 'escada eleitoral' por políticos

Alexandre de Moraes, ministro do STF, durante sessão da Corte.
O ministro Alexandre de Moraes em sessão do STF. Foto: Rosinei Coutinho.

Ministro do STF alerta para a desvirtuação do debate público por agendas pessoais, prejudicando temas vitais como saúde e educação.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez duras críticas a políticos que, segundo ele, utilizam a Corte como uma 'escada eleitoral' para autopromoção e ganho de visibilidade em redes sociais. A afirmação, proferida nesta terça-feira, 28 de abril de 2026, durante sessão da Primeira Turma do STF, revela uma preocupante estratégia de desvirtuamento do debate público, substituindo a discussão sobre temas essenciais da nação por ofensas e polarização em busca de 'likes'.

A intervenção ocorreu enquanto a Primeira Turma analisava uma denúncia apresentada pelo deputado federal Gustavo Gayer contra o também parlamentar José Nelto, que enfrenta acusações de injúria e calúnia. A pauta, embora específica, abriu espaço para o ministro expressar uma preocupação mais ampla sobre a conduta de parte da classe política.

Moraes aprofundou sua análise, observando que parlamentares de diversas orientações ideológicas têm adotado uma estratégia de confronto público deliberado, visando ampliar o alcance de suas campanhas. "Cada um repercute nas suas redes sociais, cada um tem muitos likes e conseguem elevar o conhecimento público a seus nomes", declarou o ministro. Para ele, essa prática atinge diretamente a dignidade e a honra do Supremo Tribunal Federal e de seus membros. "Políticos que não têm voto necessário para atingir as candidaturas que querem acabam querendo ofender o Poder Judiciário, acabam querendo ofender a honra, a dignidade dos membros do Poder Judiciário, utilizando-nos como escada eleitoral", enfatizou. Ele complementou, citando pesquisas, que tal tática não tem se mostrado eficaz para o propósito eleitoral desejado.

As contundentes críticas do ministro surgem em um cenário de crescentes tensões, com episódios recentes envolvendo figuras políticas já projetadas para as eleições de 2026. Um exemplo notório foi a divulgação, na semana passada, de um vídeo pelo ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, com comentários em tom de sátira direcionados ao ministro Gilmar Mendes. A repercussão desse caso levou Mendes a encaminhar uma notícia-crime, solicitando a inclusão de Zema no inquérito das fake news, cujo relator é justamente Moraes.

Sem nomear diretamente os envolvidos, Moraes lamentou que tal comportamento tenha suplantado o debate sobre temas centrais para a administração pública e a dignidade cidadã. "Ao invés de discutir saúde, educação, segurança pública, ao invés de discutir o que fizeram em seus mandatos, querem pegar uma escada numa suposta polarização contra o Supremo Tribunal Federal, não com críticas, mas com agressões verbais", pontuou. Essa troca de prioridades, segundo ele, prejudica a sociedade ao desviar o foco de soluções para problemas urgentes.

Para o ministro, essa conduta extrapola os limites legítimos do embate político e, em certas circunstâncias, pode configurar um "assédio moral" contra a instituição e seus integrantes. Tal cenário fragiliza a relação entre os Poderes e a confiança pública na justiça.

As declarações de Alexandre de Moraes ganham um contexto mais amplo em meio à intensificação das críticas ao próprio ministro. Recentemente, a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, divulgou informações sobre um contrato entre o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master. A reportagem também revelou trocas de mensagens entre o ministro e Daniel Vorcaro no dia da prisão do ex-banqueiro, adicionando uma camada de complexidade ao cenário político-judiciário.

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