FENÔMENO SOB INVESTIGAÇÃO

Mistério astronômico: cientistas buscam desvendar origem das faixas de sombra

Simulação visual de sombras projetadas no solo durante um eclipse solar.
Fenômeno óptico das faixas de sombra intriga pesquisadores durante eclipses solares.

Pesquisadores investigam padrões luminosos que surgem durante eclipses solares totais, desafiando teorias consolidadas sobre a interação entre atmosfera e luz.

Padrões ondulantes de luz e sombra, semelhantes a serpentes que percorrem superfícies planas pouco antes e depois da totalidade de um eclipse solar, desafiam a compreensão da comunidade científica há séculos. O fenômeno ocorre quando a Lua bloqueia completamente a luz do Sol, revelando linhas escuras e espaços brancos que intrigam observadores e especialistas.

David Turnshek, professor de física e astronomia da Universidade de Pittsburgh, estuda o mistério desde a sua juventude, após testemunhar o efeito em 1970. Embora a ciência busque explicações definitivas, o fenômeno permanece um enigma com duas teorias concorrentes: a turbulência atmosférica e a interferência por difração.

Um eclipse solar total que ocorrerá na próxima quarta-feira proporcionará aos cientistas mais uma oportunidade de investigar o caso. Os observadores poderão presenciar o espetáculo quando a faixa de totalidade passar pelo extremo norte da Rússia, leste da Groenlândia, oeste da Islândia, metade norte da Espanha e nordeste de Portugal.

Resultados surpreendentes

Em 2017, Turnshek liderou um grupo de estudantes da Universidade de Pittsburgh em uma expedição no Tennessee para testar se a turbulência atmosférica seria a causa exclusiva do fenômeno. Utilizando sensores em solo e em balões de alta altitude, a equipe detectou um sinal de 4,5 hertz em ambos os locais, o que contradiz a teoria de que o efeito seria restrito às camadas inferiores da atmosfera.

As descobertas abriram espaço para a teoria da difração, onde a Lua atuaria como um obstáculo, curvando a luz e gerando interferências. No entanto, tentativas posteriores de replicar esses resultados durante o eclipse de 8 de abril de 2024, no Texas, foram frustradas por condições meteorológicas adversas e dados inconclusivos.

Turnshek planeja continuar suas observações em León, na Espanha, embora sem a complexa estrutura de balões usada anteriormente. Para entusiastas que desejam observar o fenômeno, o pesquisador Gordon Telepun recomenda cautela: as faixas são tênues e exigem superfícies lisas e claras, sendo facilmente ignoradas durante a euforia da totalidade.

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