CRIME ORGANIZADO EXPÕE
Ministro Mendonça (STF) revela rede criminosa sofisticada no caso Master
Decisão do Ministro André Mendonça (STF) autoriza 6ª fase da operação Compliance Zero. Investigações revelam grupo criminoso com policiais, hackers e operadores agindo em intimidação, ataques cibernéticos e acesso ilegal a dados.
O Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), revelou nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, a existência de uma "estrutura criminosa sofisticada" ligada às investigações do Banco Master. A decisão do magistrado autorizou a 6ª fase da operação Compliance Zero, evidenciando o profundo impacto de ações coordenadas por policiais, hackers e operadores que atuavam com intimidação, ataques cibernéticos e acesso ilegal a dados sigilosos, minando a confiança na justiça e a privacidade dos cidadãos.
O ministro descreveu um "quadro indiciário robusto" que sustenta as ações da operação. A íntegra da decisão (PDF – 408 kB) está disponível para consulta.

Segundo Mendonça, as investigações apontam para dois braços operacionais altamente especializados. Um deles dedicava-se a intimidações presenciais e à obtenção de informações sigilosas. O outro era focado em invasões telemáticas, ataques digitais e monitoramento clandestino, operando na sombra da legalidade para manipular informações e alvos.
A Polícia Federal (PF) batizou esses grupos de "A Turma" e "Os Meninos", identificando claramente seus papéis na complexa engrenagem criminosa.
Os papéis definidos dos núcleos criminosos
O grupo "A Turma", conforme detalhado na decisão judicial, era responsável por ações de ameaça, coerção, levantamentos clandestinos e acessos indevidos a sistemas governamentais. Era composto por policiais federais, tanto da ativa quanto aposentados, operadores do jogo do bicho e outros colaboradores, todos mobilizados para intimidar e exercer pressão sobre alvos diretamente relacionados ao caso do Banco Master. Este modus operandi revela uma audácia que desafia a ordem pública e a integridade de órgãos de segurança.
Por outro lado, "Os Meninos" constituíam o braço tecnológico e hacker da organização. A PF atribui a eles a realização de ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis em redes sociais e um elaborado esquema de monitoramento telefônico e digital ilegal. A atuação deste grupo demonstra a grave violação da privacidade e segurança digital de indivíduos e instituições.
A decisão aponta que Felipe Mourão gerenciava ambos os núcleos, garantindo que suas atividades servissem aos interesses do centro da organização criminosa investigada. Esta coordenação centralizada indica o alto grau de organização e planejamento por trás dos crimes.
Henrique Vorcaro emerge como figura-chave na sustentação financeira do esquema. A decisão o descreve como "demandante, beneficiário e operador financeiro" de "A Turma", financiando serviços ilícitos e mantendo contato com integrantes mesmo após as fases iniciais e ostensivas da operação. Essa persistência demonstra um desprezo pela lei e uma tentativa contínua de subverter o sistema de justiça.
Mensagens atribuídas a Henrique Vorcaro, reproduzidas na decisão, reforçam essa conexão, com frases como: "No momento em que estou é que preciso de vocês". Para a PF, esta comunicação é uma prova da continuidade do vínculo com o grupo investigado, mesmo sob o cerco da lei. Interceptações revelam também negociações de repasses financeiros que variam de R$ 400 mil a R$ 800 mil, destinados à manutenção dessa estrutura.
Entre os indivíduos detidos, destaca-se David Henrique Alves, apontado pela PF como líder de "Os Meninos". Ele seria o coordenador dos operadores com perfil hacker responsáveis por ataques digitais e monitoramento clandestino.
Henrique Vorcaro foi preso em Belo Horizonte (MG) pela PF. Além dele, foram expedidos 6 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, cumpridos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. O STF também autorizou o afastamento de cargos públicos, bem como o bloqueio e sequestro de bens, medidas cruciais para desarticular a organização.
Os investigadores aprofundam as apurações sobre suspeitas de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. Estes crimes atingem a espinha dorsal da sociedade, comprometendo a fé na legalidade e na equidade.
Em nota ao Poder360, a defesa da família Vorcaro informou que não se manifestará sobre a operação em curso.
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