INVESTIGAÇÃO FEDERAL
Ministro Flávio Dino autoriza operação da PF contra suspeitas de desvio de R$ 15 milhões ligadas a Sóstenes Cavalcante
Ação da Polícia Federal mira deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Ministro Flávio Dino, do STF, apontou indícios de uso de empresas para dissimular desvios e saques vultosos. PGR também se manifestou favoravelmente à operação.
Operação da PF apura desvios de recursos públicos
Nesta quarta-feira, 01/07/2026, a Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação com alvos ligados ao deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). A iniciativa foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que identificou indícios de que pessoas jurídicas foram utilizadas para dissimular desvios de verbas públicas. A investigação cita a possibilidade de saques em espécie que alcançam até R$ 15 milhões.
Análise detalhada do caso
Durante o programa CNN 360º, o analista de Política Matheus Teixeira esclareceu que o ministro Flávio Dino não atribui diretamente os R$ 15 milhões a Sóstenes Cavalcante. A apuração, conforme o analista, remonta a uma operação realizada no final do ano passado, quando houve busca e apreensão na residência do deputado, resultando na apreensão de cerca de R$ 500 mil.
Inconsistências na justificativa de valores
Segundo a decisão ministerial, o imóvel que Sóstenes Cavalcante alegou ter vendido para justificar a posse dos valores apreendidos teria sido transferido para seu nome somente após a ação policial. Essa inconsistência foi apontada pelo ministro Dino como um ponto relevante na investigação sobre a origem do dinheiro.
Posicionamento do STF e da PGR
Em sua decisão, Flávio Dino destacou que as investigações revelaram um padrão de utilização de pessoas jurídicas para ocultar o desvio de recursos públicos. As análises de inteligência financeira indicam a realização de saques vultosos em espécie, que podem totalizar R$ 15 milhões. O ministro ressaltou que a hipótese criminal se agrava ao considerar a possibilidade de os valores serem oriundos de peculato atribuído ao deputado federal. Além disso, Dino mencionou que a transmissão do imóvel, que deveria justificar os R$ 500 mil apreendidos, ocorreu quase um mês após o cumprimento do mandado de busca e apreensão, e foi realizada por um advogado envolvido em transações suspeitas.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se posicionou favoravelmente à operação, afirmando que as evidências coletadas pela PF demonstram que o montante apreendido em espécie carece de lastro documental que comprove sua origem lícita. A PGR ressaltou a ausência de comprovação do fluxo financeiro que levou à guarda desses valores. Em sua defesa, Sóstenes Cavalcante nega todas as acusações.
Origem da Operação: Suspeitas de desvios em cotas parlamentares
A operação foi batizada de “Rent a Car” devido às suspeitas iniciais de desvio de recursos públicos provenientes do uso de cotas parlamentares para aluguel de veículos. As investigações da Polícia Federal identificaram indivíduos que, supostamente, teriam ligação com o deputado e estariam envolvidos na administração de empresas responsáveis pela movimentação e saque de valores vultosos.
Contexto político do deputado Sóstenes Cavalcante
Matheus Teixeira contextualizou a importância de Sóstenes Cavalcante no cenário político, descrevendo-o como um dos principais nomes do PL e uma figura influente na Câmara dos Deputados. O deputado possui trânsito tanto na oposição quanto entre parlamentares da base governista e do Centrão. Ele já foi cotado para ser candidato a senador pelo Rio de Janeiro.
As ações de Flávio Dino no âmbito das emendas parlamentares têm gerado debates sobre possíveis tensões entre o Congresso Nacional e o STF, com parlamentares expressando preocupações sobre uma alegada criminalização da política de emendas.
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