PODER JUDICIÁRIO EM CHOQUE
Ministro do STJ autoriza soltura de traficante do PCC; juiz de MG o mantém preso
Decisão do STJ pela soltura de Douglas de Azevedo Carvalho, o "Mancha", foi revertida por juiz de Minas Gerais, que decretou nova prisão. Traficante é ligado ao PCC e investigado por tráfico internacional.
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a soltura do traficante Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como "Mancha", figura ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Contudo, antes que a decisão fosse cumprida, uma nova ordem judicial expedida pela Justiça de Minas Gerais, nesta quinta-feira, 2 de julho de 2026, impediu sua liberação, mantendo-o sob custódia. Mancha é investigado por envolvimento em tráfico internacional e interestadual de drogas, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.
A decisão do ministro Messod Azulay Neto, do STJ, considerou que a defesa de Douglas de Azevedo Carvalho apresentou elementos que indicam atividade econômica lícita, como a sociedade majoritária na empresa Subzero Delivery Bebidas e Derivados Ltda. O ministro também ressaltou a existência de residência fixa, vínculos familiares estáveis e a paternidade de três crianças como fatores que poderiam afastar a necessidade de prisão preventiva. Como medidas alternativas à prisão, foram propostas a proibição de ausentar-se do país, entrega do passaporte, uso de tornozeleira eletrônica e apresentação mensal à Justiça.
No entanto, pouco tempo após a determinação do STJ, o juiz Roberto Oliveira Araújo Silva, do 2º Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, decretou a prisão temporária de "Mancha" por 30 dias. A nova ordem judicial visa aprofundar as investigações sobre o assassinato de Paulo Roberto Ziviani Rodrigues, ocorrido em 2018, um caso em que o traficante é supostamente investigado.
Douglas de Azevedo Carvalho, apontado como fundador da Tropa do Douglas, facção aliada ao PCC, já teve passagens anteriores pelo sistema penitenciário. Ele chegou a ser colocado em prisão domiciliar, mas rompeu a tornozeleira eletrônica, evadiu-se do país e passou a utilizar identidade falsa. Sua captura ocorreu em 15 de março de 2026, em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, após uma operação conjunta que envolveu a Polícia Federal (PF), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e apoio das autoridades bolivianas. Ele também é procurado pela Justiça Federal do Pará por suspeita de participação em um esquema para enviar mais de 300 quilos de cocaína para Portugal, ocultos em carga de açaí.
Em março de 2026, o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) já havia apontado Douglas como uma das principais lideranças do narcotráfico no estado, com atuação no tráfico transnacional de drogas e conexão com diversas facções criminosas, o que reforça a gravidade das acusações.
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