DIPLOMACIA EM RUPTURA
Ministro de Israel rompe contato com chefe da diplomacia da União Europeia após críticas
Gideon Saar acusa Kaja Kallas de comparações indevidas entre Israel e o apartheid sul-africano e suspende o diálogo. A UE mantém sua posição sobre a Solução de Dois Estados.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, anunciou nesta quinta-feira, 18 de junho de 2026, o rompimento de todo contato com a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas. A decisão drástica surge em resposta a declarações atribuídas a Kallas, nas quais ela teria comparado Israel ao regime de apartheid da África do Sul. A medida, que impacta diretamente as relações diplomáticas entre Israel e o bloco europeu, ressalta a sensibilidade em torno da situação no Oriente Médio e a importância do diálogo construtivo. A comunicação de Saar, feita em redes sociais, aponta que a comparação teria ocorrido durante uma visita ao México no mês passado. Ele exigiu retratação pública da chefe da diplomacia europeia. Em suas postagens, o ministro israelense compartilhou publicações que referenciam uma reportagem do site de notícias Euractiv. Segundo a matéria, que cita fontes diplomáticas anônimas, Kallas teria comparado o tratamento dispensado por Israel aos palestinos na Cisjordânia e em Gaza às políticas segregacionistas do apartheid. A fala, caso confirmada, agravaria o já complexo cenário do conflito israelense-palestino. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, respondeu às acusações em outra publicação na rede social X. Embora tenha ressaltado a importância do diálogo e os laços comuns entre a UE e Israel, Kallas não abordou diretamente os comentários que lhe foram atribuídos. Ela enfatizou que o diálogo é fundamental, especialmente em momentos de divergência, e reafirmou o compromisso da UE com uma relação construtiva com Israel. No entanto, a divergência se aprofundou com Saar acusando Kallas de uma atuação "obsessiva e com flagrante injustiça em relação ao Estado de Israel". Em resposta, Kallas reiterou a posição da União Europeia, defendendo a Solução de Dois Estados como o único caminho viável para a paz no Oriente Médio e condenando a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia, considerados ilegais pelo direito internacional e um obstáculo à paz. A União Europeia tem mantido uma postura crítica em relação à expansão dos assentamentos israelenses, classificando-a como um entrave à paz. Em maio, o bloco sancionou indivíduos e entidades por violações de direitos humanos contra palestinos na Cisjordânia, uma decisão veementemente rejeitada por Israel. A UE também criticou a condução da guerra em Gaza, ao mesmo tempo que reconhece o direito de defesa de Israel, evidenciando a complexidade e as divisões internas entre os 27 Estados-membros.
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