AGRONEGÓCIO EM FOCO

Ministro da Fazenda discute com deputados renegociação de dívida do agronegócio

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, em audiência.
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, participou de audiência pública na Câmara dos Deputados em 17 de junho de 2026.

Dario Durigan conversa com parlamentares sobre possíveis soluções para o endividamento do setor. Medida, que já passou pelo Senado, tem impacto estimado em até R$ 140 bilhões.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, com deputados da bancada ruralista em audiência pública na Câmara dos Deputados para debater a renegociação da dívida do agronegócio brasileiro. O encontro, que ocorreu nas Comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural e de Finanças e Tributação, buscou alinhar posições sobre um tema de grande relevância para o setor produtivo.

Durante a audiência, Durigan afirmou que o governo, em conjunto com o Congresso Nacional, buscará uma solução para amparar o agronegócio. "Minha preocupação é errar a dose da ajuda. Se for autorizativo e o governo estender a mão a quem não precisa, estou aberto a fechar um acordo dentro do enquadramento proposto", declarou o ministro, ressaltando a importância de direcionar o auxílio a quem realmente necessita, sem comprometer as contas públicas. Ele pontuou que mais de 90% do agronegócio não enfrenta problemas de endividamento e que a análise de inadimplência deve focar em linhas de crédito subsidiadas, evitando gastos primários diretos dos ministérios.

O deputado Afonso Hamm (PP-RS), que atuou como relator do PL das dívidas rurais na Câmara, contestou a classificação da proposta como "pauta-bomba". "A comunicação do governo e do ministério tem que ser ajustada. Não é pauta-bomba. Nós construímos com responsabilidade e todos aqui são testemunhas porque todos aqui opinaram. Foi para o Senado e ampliou", argumentou. Hamm expressou seu desejo de continuar como relator para aprofundar o diálogo e a viabilidade da medida, visando atender efetivamente quem precisa.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, em conversas informais, classificou a medida como "impagável" e defendeu que as pautas de socorro ao agronegócio "precisam ter um limite", sinalizando que nem todas as demandas da bancada ruralista poderão ser atendidas. A preocupação reside no impacto financeiro bilionário que tais projetos podem gerar para os cofres públicos.

O termo "pauta-bomba" refere-se a projetos legislativos que resultam em despesas elevadas para o governo, seja pela redução da arrecadação ou pelo aumento de gastos públicos. O projeto em discussão, já aprovado pelo Senado Federal, propõe a criação de uma linha especial de crédito rural para renegociação de dívidas de produtores. Para entrar em vigor, necessita ainda da aprovação da Câmara dos Deputados e da sanção presidencial.

As estimativas para o custo do projeto divergem significativamente. Cálculos do Ministério da Fazenda apontam para um impacto de até R$ 140 bilhões ao longo de 13 anos, considerando a equalização de taxas de juros pela União. Já a Frente Parlamentar de Apoio à Agropecuária (FPA) projeta um valor menor, de R$ 65 bilhões em 13 anos, com R$ 5 bilhões no primeiro ano e decrescendo para R$ 500 milhões no último. A carteira de dívidas a ser renegociada soma aproximadamente R$ 100 bilhões.

O ministro Dario Durigan já manifestou anteriormente a posição do governo de vetar ou acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) contra matérias consideradas "pautas-bomba", indicando uma postura cautelosa em relação a projetos com alto impacto fiscal.

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