INVESTIGAÇÃO E SANÇÕES
Ministro da Fazenda alerta para interferência dos EUA em investigações brasileiras
Dario Durigan critica ação unilateral dos Estados Unidos contra alvos já monitorados pela Polícia Federal e Receita, pedindo clareza sobre os objetivos americanos.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou preocupação nesta sexta-feira, 03/07/2026, com a atuação dos Estados Unidos em impor sanções a indivíduos e empresas que já são alvos de investigações no Brasil. Em entrevista exclusiva ao g1, Durigan destacou que a medida americana representa uma interferência em processos em andamento e questionou os objetivos por trás dessa ação.
As sanções, que visam combater supostos vínculos com facções criminosas, atingiram alvos que já estavam sendo monitorados pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal. Durigan afirmou que as investigações estavam em curso "há um tempo", sem apresentar novidades para as autoridades brasileiras. "Hoje mesmo a polícia faz uma operação, quer dizer que a investigação já estava em curso há um tempo", declarou o ministro.
Um dos exemplos citados foi Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, sancionada pelos EUA por suposto vínculo com o Primeiro Comando da Capital (PCC) e que também teve 11 mandados de prisão temporária expedidos pela PF. O empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, igualmente sancionado pelos americanos, é outro procurado pela PF e está foragido.
Esta marca a primeira vez que os EUA aplicam sanções econômicas contra alvos acusados de ligação com facções, após classificá-las como grupos terroristas internacionais em junho. Durigan ressaltou o impacto social negativo causado por essas organizações no Brasil e expressou a dúvida da população brasileira sobre os próximos passos e a forma como essas ações serão conduzidas.
O ministro enfatizou que o Brasil está aberto a compartilhar informações sobre suspeitos, mas espera reciprocidade dos Estados Unidos. "Nesses casos de agora, especificamente, houve troca de informações. A própria autoridade brasileira informou ao governo dos Estados Unidos o que se passava aqui. A gente que já estava investigando e punindo essas pessoas e essas empresas", explicou Durigan. A falta de clareza sobre as intenções e os resultados esperados com a intervenção americana é o ponto central da preocupação do governo brasileiro.
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