AGRO PEDE SOCORRO

Ministro da Agricultura promete socorrer agronegócio em meio a dívidas e crédito travado

Ministro da Agricultura promete socorrer agronegócio em meio a dívidas e crédito travado

Setor enfrenta "tempestade perfeita" com dívidas recordes e crédito escasso, cobrando soluções urgentes. Propostas incluem renegociação e um Plano Safra mais robusto que o anterior de R$ 516 bilhões.

O agronegócio brasileiro, motor da economia, clama por socorro frente a um cenário de crédito restrito, dívidas crescentes e novas exigências regulatórias. Diante dessa "tempestade perfeita", como descrita pelo setor, o ministro da Agricultura, André de Paula, comprometeu-se a buscar soluções urgentes durante reunião com a SRB (Sociedade Rural Brasileira) em São Paulo, nesta terça-feira, 05 de maio de 2026. A preocupação central é o impacto direto na capacidade produtiva dos agricultores e na estabilidade de um setor vital para a segurança alimentar do país, exigindo mecanismos mais amplos de renegociação de dívidas e um Plano Safra mais robusto.

Durante o encontro com representantes da entidade, André de Paula adotou um tom pragmático. Ele afirmou que sua gestão será marcada por "falar menos e trabalhar mais", enfatizando a importância de aproveitar a experiência técnica existente e fortalecer parcerias com o setor produtivo para enfrentar os desafios iminentes.

Preocupações que se agravam

A pauta da reunião foi dominada por questões recorrentes, como o acesso ao crédito rural, o seguro rural e os entraves regulatórios. Sérgio Bortolozzo, presidente da SRB, alertou que as dificuldades enfrentadas pelos produtores se agravam, comprometendo a subsistência de muitas famílias e a produção de alimentos.

"O ministro se comprometeu a procurar subsídios para o Plano Safra e, principalmente, para o endividamento do setor e a perda de capacidade do produtor, que é financeira e de produção", declarou Bortolozzo. Ele sublinhou que a alta no endividamento é uma das maiores angústias do campo, e que o setor "precisa de mecanismos mais amplos de renegociação de dívidas para aliviar a pressão sobre os produtores", mencionando a possibilidade de securitização ou alongamento dos débitos.

Crédito, o principal gargalo

O acesso ao crédito foi identificado como o maior obstáculo. A inadimplência elevada restringe a liberação de recursos, e novas exigências burocráticas tendem a prejudicar ainda mais o produtor rural. Segundo o presidente da SRB, normas recentes e requisitos adicionais têm gerado insegurança jurídica, dificultando o financiamento da produção e a execução de projetos essenciais para a modernização do agronegócio.

Entre as medidas mais polêmicas, está a resolução aprovada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Ela impõe aos bancos a obrigatoriedade de verificar, por meio do sistema Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), se imóveis rurais que buscam financiamento registraram desmatamento após 31 de julho de 2019. Essa exigência é vista como um grande entrave pelo setor.

André de Paula reconheceu o problema e garantiu que tem levado essa inquietação ao governo. "Não me parece justo penalizar o produtor, restringindo o acesso aos recursos sem garantir o direito de defesa", defendeu o ministro. Ele ressaltou que a construção de soluções exige articulação entre diversas áreas governamentais, incluindo a equipe econômica, para assegurar que as políticas públicas sejam efetivas e justas no campo.

A "tempestade perfeita" no campo

O cenário atual foi reiteradamente descrito como uma "tempestade perfeita", expressão já utilizada pela senadora Tereza Cristina no mês passado para ilustrar a confluência de fatores internos e externos que pressionam o agronegócio. Por um lado, persistem os riscos climáticos e a volatilidade dos preços, desafios inerentes à atividade agropecuária. Por outro, as incertezas globais, impulsionadas por conflitos geopolíticos e decisões econômicas de grandes potências, ampliam a instabilidade, colocando em risco a subsistência de produtores e o abastecimento.

O ministro assegurou que o governo está ciente desse ambiente adverso e já trabalha para mitigar seus impactos. "Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para avançar ou, pelo menos, mitigar esses efeitos", afirmou.

Expectativas para o Plano Safra e diálogo contínuo

A reunião em São Paulo ocorreu em um momento estratégico: em meio à elaboração do novo Plano Safra, com anúncio previsto para o início de junho. O governo espera apresentar um programa mais robusto que o anterior, que somou R$ 516 bilhões. Uma atenção especial será dada às taxas de juros, consideradas cruciais para a efetividade do crédito e para que os produtores possam investir e planejar suas safras sem o fardo de custos elevados.

A visita de André de Paula foi vista como um gesto importante de aproximação entre o governo e o setor produtivo. Para a SRB, o diálogo aberto é fundamental para a construção de políticas públicas mais alinhadas à realidade do campo. O ministro reforçou seu compromisso em manter essa interlocução constante, reconhecendo que o agronegócio enfrenta desafios complexos e simultâneos, demandando respostas rápidas e eficazes para proteger a dignidade e o futuro dos produtores rurais.

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