CORRIDA POR MINERAIS

Ministro Alexandre Silveira defende que EUA produzam minerais críticos no Brasil

Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energia
Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energia

Alexandre Silveira, Ministro de Minas e Energia, aponta que disputa global por minerais críticos abre portas para o Brasil atrair investimentos dos Estados Unidos, que poderiam produzir com custos menores em solo brasileiro.

O Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou nesta sexta-feira, 03/07/2026, que os Estados Unidos devem investir em projetos de minerais críticos no Brasil. A declaração, feita em Belo Horizonte (MG) após um evento, ressalta a oportunidade que a corrida mundial por esses materiais representa para atrair investimentos externos, especialmente norte-americanos. Silveira comparou a disputa pelo acesso a minerais críticos entre China e EUA a uma "guerra comercial". Ele destacou o potencial mineral do Brasil como um fator que posiciona o país como um parceiro estratégico para o governo de Donald Trump (Partido Republicano), que busca reduzir sua dependência da China. "Nós temos que trazer a cadeia produtiva para o Brasil. Talvez a China, nesse caso, não esteja interessada, até porque ela produz com custos menores e já tem a cadeia completa. Mas os Estados Unidos, se quiser produzir com custos melhores, vai produzir em solo brasileiro", declarou o ministro. O Ministro de Minas e Energia mencionou que discutiu uma possível parceria Brasil-EUA na área de terras-raras durante a visita do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aos Estados Unidos. "O Brasil tem que aproveitar a oportunidade agora para poder atrair investimentos. Nós temos que fazer dos minerais críticos, em especial terras-raras, uma oportunidade para o Brasil", enfatizou. O interesse de norte-americanos e europeus no potencial mineral brasileiro tem crescido nos últimos meses. O Brasil possui a segunda maior reserva de terras-raras do mundo e é visto pelos EUA e pela União Europeia como uma alternativa viável para diminuir a dependência da China, que atualmente domina mais de 90% da cadeia internacional desses materiais. Terras-raras são essenciais para a fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. Apesar da vasta oferta de matéria-prima, o Brasil ainda não domina as etapas de refino e processamento desses minerais, concentrando-se majoritariamente na extração. Integrantes do governo Lula defendem a importância de agregar valor aos minerais críticos em território nacional, alinhando-se ao discurso de soberania. O tema também avança no Congresso Nacional. A Câmara dos Deputados aprovou em maio um projeto que institui a Política Nacional dos Minerais Críticos. A proposta cria um fundo de R$ 5 bilhões para o setor e oferece incentivos fiscais para empresas que desenvolvam mais etapas da cadeia produtiva no Brasil, aguardando agora análise do Senado.

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