SAÚDE PÚBLICA EM ALERTA

Ministério Público cobra TCU por ações contra hantavírus

Ministério Público cobra TCU por ações contra hantavírus

Pedido de medida cautelar surge após casos no Paraná e risco de contágio pessoa a pessoa, reacendendo preocupações da Covid-19.

O Ministério Público solicitou na sexta-feira, 8 de maio de 2026, que o Tribunal de Contas da União (TCU) intervenha com uma medida cautelar e investigue as ações do Ministério da Saúde. O objetivo é assegurar a prevenção da disseminação do hantavírus no Brasil e proteger a saúde pública, um movimento que busca evitar a repetição de falhas observadas no início da pandemia de Covid-19 e garantir uma resposta eficaz a novas ameaças de saúde. O pedido do MP, que agora será avaliado pelo TCU, ressalta a urgência da situação.

A representação do Ministério Público cita uma reportagem da CNN Brasil que noticiou a confirmação de dois casos de hantavírus no Paraná, além de outros onze que permanecem sob investigação. O documento enfatiza a vulnerabilidade do estado do Paraná por fazer fronteira com países andinos, onde o "vírus Andes" — uma variante com potencial de transmissão de pessoa para pessoa — já circula.

A gravidade da situação atual é sublinhada pela menção explícita à pandemia de Covid-19. O Ministério Público critica a "atitude de pouco caso" inicial no enfrentamento da Covid-19, argumentando que essa postura contribuiu para a contaminação e morte de milhares de brasileiros. "Não é minha intenção alarmar a população brasileira acerca dessa doença, mas atitudes de pouco caso com a disseminação de vírus foram observadas à época da Covid-19, o que resultou em milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas caso medidas tempestivas e efetivas tivessem sido adotadas", destaca o documento, reforçando a necessidade de ação preventiva imediata.

Na mesma sexta-feira, a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná confirmou os dois casos de hantavírus, enquanto 21 foram descartados e 11 seguem em análise. Este alerta ganha ainda mais relevância após a Organização Mundial da Saúde (OMS) reportar casos e óbitos pela doença em um navio de cruzeiro que viajava da Argentina para Cabo Verde. Além dos registros deste ano, o município de Cruz Machado já havia confirmado um caso em 2025, indicando uma preocupação contínua com a doença.

A hantavirose é uma zoonose viral aguda que exige notificação compulsória imediata. Sua transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas virais presentes na urina, fezes e saliva de roedores silvestres infectados, mas também pode haver contágio por contato com mucosas, arranhões ou mordidas desses animais. Quando a infecção avança, pode evoluir para a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH) e, em estágios mais severos, para a síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), condição que pode levar a um edema pulmonar não cardiogênico e, consequentemente, à insuficiência respiratória aguda e choque circulatório.

Inicialmente, os pacientes podem sentir febre, dores nas articulações, dor de cabeça e sintomas gastrointestinais. Caso a doença progrida para a fase cardiopulmonar, surgem dificuldades respiratórias, tosse seca e pressão baixa. Dada a inexistência de um tratamento específico para a infecção por hantavírus, as intervenções médicas se concentram no suporte e alívio dos sintomas. A orientação é clara: ao menor sinal da doença, procurar um serviço de saúde imediatamente para garantir o acompanhamento adequado e mitigar os riscos à vida.

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