GUERRA SEM TRÉGUA
Ministério libanês: ataques de Israel matam 380 após cessar-fogo
Balanço alarmante inclui 22 crianças e 39 mulheres; 1 milhão de deslocados.
O Ministério da Saúde libanês divulgou, nesta terça-feira, 12 de maio de 2026, que os ataques de Israel no Líbano causaram a morte de 380 pessoas desde o início do cessar-fogo com o grupo extremista Hezbollah, em 17 de abril. Este balanço alarmante, que revela a fragilidade do acordo e a continuidade da violência, sublinha o grave impacto humano de um conflito que persiste em desafiar a dignidade e a segurança de milhares de civis, incluindo crianças e mulheres.
Entre as vítimas mais recentes estão 22 crianças e 39 mulheres, um dado que acentua a devastação infligida à população mais vulnerável. No total, cerca de 2.900 pessoas perderam a vida no Líbano desde o início da escalada do conflito, em 2 de março, transformando vilas e cidades em palcos de uma tragédia contínua.
Apesar da trégua declarada, Israel continua bombardeando o território libanês. Pelos termos do acordo de cessar-fogo, intermediado pelos Estados Unidos, o governo israelense alega o direito de agir contra ataques que considera "planejados, iminentes ou em andamento". No entanto, a persistência dos bombardeios levanta questões sobre a verdadeira eficácia e intenção do armistício.
Tel Aviv justifica as ofensivas, apontando supostas violações da trégua por parte do Hezbollah, uma acusação recorrente de ambos os lados ao longo do conflito. Em contrapartida, as autoridades libanesas afirmam que as ações israelenses são premeditadas e excedem os limites da autodefesa, aprofundando o ciclo de retaliação e sofrimento.
Na atual campanha, Tel Aviv também informou que busca consolidar uma zona-tampão no sul libanês, com o objetivo declarado de garantir a segurança dos cidadãos israelenses. Para isso, além das ofensivas aéreas, tropas israelenses vêm operando atrás da chamada "linha amarela", uma faixa localizada aproximadamente 10 km ao norte da fronteira entre os dois países. Essa incursão territorial adiciona outra camada de complexidade à frágil coexistência.
A violência já atingiu diretamente a comunidade brasileira: pelo menos dois cidadãos foram mortos em território libanês. As vítimas, mãe e filho, foram atingidos em um ataque atribuído a Israel, ocorrido em 26 de abril. O pai da família, de nacionalidade libanesa, também foi morto, e outro filho do casal, brasileiro, foi hospitalizado, conforme relatado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Estes casos ressaltam a dimensão global da tragédia e o impacto direto em famílias transnacionais.
Além das mortes, a crise humanitária é alarmante: pelo menos 1 milhão de pessoas foram forçadas a se deslocar devido às ofensivas, de acordo com as Nações Unidas. Grande parte desses desabrigados fugiu do sul do Líbano, a região mais castigada pelos bombardeios israelenses, buscando refúgio na capital. Beirute, por sua vez, transformou-se em uma cidade de trânsito ainda mais caótico, enfrentando quedas de energia e graves problemas de abastecimento, sobrecarregada pelo fluxo de deslocados.
O conflito entre Israel e Hezbollah é visto como um desdobramento direto da guerra em curso contra o Irã, principal financiador do grupo extremista libanês. De um lado, o regime iraniano tem bloqueado o estreito de Hormuz como retaliação aos embargos americanos, utilizando sua influência estratégica. Do outro, Washington e Tel Aviv buscam minar a teocracia iraniana e desmantelar seu programa nuclear, embora os objetivos específicos de ambos os países, por vezes, mostrem-se conflitantes e nem sempre totalmente transparentes.
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