SAÚDE DA MULHER

Ministério lança projeto com R$ 60 milhões para combater endometriose e dor pélvica

Ministra Luciana Santos em entrevista.
Ministra Luciana Santos destacou o estigma e a necessidade de novas tecnologias.

Iniciativa inédita do MCTI, via CNPq, busca desenvolver tecnologias para diagnóstico e tratamento, combatendo estigma social e impacto na vida de milhões de brasileiras.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) apresentou, nesta terça-feira, 9 de julho de 2024, um projeto de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias voltado à endometriose, à dor pélvica e à saúde menstrual. A iniciativa, que mobiliza um investimento de R$ 60 milhões, visa criar soluções para condições que afetam milhões de mulheres no Brasil, impactando diretamente sua qualidade de vida, desempenho escolar e profissional, além da saúde mental.

Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, a ministra Luciana Santos destacou o estigma social em torno da dor menstrual. "Há um verdadeiro estigma e preconceito" em relação às mulheres que sentem dor, afirmou. Ela relatou que muitas jovens, como sua própria filha, sentem vergonha de admitir dores intensas por medo de serem vistas como fracas ou queixosas. Essa "subjetividade" e o tratamento "preconceituoso", que minimiza a dor como "mimimi" ou "capricho", prejudicam o desempenho escolar e profissional, necessitando de uma "cultura de enfrentamento" para combater essa naturalização.

A naturalização da dor menstrual desde a primeira menstruação contribui significativamente para este cenário, segundo a ministra. A iniciativa, conduzida pelo MCTI por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em parceria com o Instituto Alana e com foco no Sistema Único de Saúde (SUS), busca desenvolver tecnologias aplicáveis em cinco eixos temáticos: causa e prevenção, diagnóstico, tratamento, biorrepositório e impacto social.

A endometriose, uma doença crônica ainda subdiagnosticada – com um atraso médio de sete anos para o diagnóstico – afeta cerca de 8 milhões de brasileiras em idade reprodutiva, incluindo 2 milhões de adolescentes. As pesquisas são cruciais para reduzir lacunas de conhecimento sobre a condição e para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes. Dados apontam que quatro em cada dez alunas faltam às aulas mensalmente devido a cólicas fortes ou moderadas, e mulheres podem perder até 10,8 horas de trabalho por semana em decorrência dessas dores.

A ministra Luciana Santos, primeira mulher a chefiar o MCTI, ressaltou a importância de incorporar a perspectiva de gênero nas políticas de ciência e tecnologia. "Eu, como a primeira mulher na história desse Ministério, penso que, se nós não tivermos esse recorte de gênero, essa visão para atender às expectativas e às condições das mulheres na ciência e tecnologia, quem o fará?", questionou, expressando otimismo quanto aos avanços que podem levar a tratamentos cada vez mais eficazes e, possivelmente, à cura da endometriose e de outras condições relacionadas à dor pélvica e saúde menstrual.

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