INVESTIGAÇÃO CRÍTICA
Ministério da Saúde investiga morte de moradora de Paranapanema após vacina contra dengue
A decisão de suspender a aplicação dos imunizantes foi tomada nesta terça-feira, 09/06/2026, pelo Ministério da Saúde e Anvisa, após registro de duas mortes suspeitas. Uma das vítimas é uma mulher de 48 anos de Paranapanema, que desenvolveu sintomas graves.
O Ministério da Saúde, em conjunto com a Anvisa, decidiu nesta terça-feira, 09/06/2026, suspender temporariamente a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida, considerada crucial para reavaliar a estratégia vacinal e garantir a segurança da população, surge após o registro de duas mortes suspeitas em pessoas que receberam o imunizante. Uma das investigações envolve o caso de uma servidora de 48 anos, moradora de Paranapanema, interior de São Paulo, que apresentou sintomas graves de dengue associados a comprometimento neurológico.
A servidora faleceu dezenove dias após receber a vacina. Seu quadro evoluiu desfavoravelmente, culminando em meningoencefalite, uma inflamação cerebral, e, posteriormente, o óbito. A Secretaria Municipal de Saúde de Paranapanema informou que segue as orientações dos órgãos federais e colabora ativamente com as investigações, que são de responsabilidade da Vigilância Sanitária e Epidemiológica Federal. A decisão de interromper a vacinação, embora temporária, impacta diretamente a confiança da população na proteção contra a dengue e levanta questões sobre os efeitos adversos de imunizantes.
Até o momento, foram aplicadas 500 mil doses da vacina em todo o país, com 417 mil destinadas a profissionais de saúde. Desses, 42 casos de reações adversas severas foram registrados, o que representa 0,008% do total, sendo três classificados como graves, incluindo os dois óbitos em investigação. O Instituto Butantan assegura que a interrupção visa a reavaliação da estratégia vacinal para garantir a segurança nas próximas etapas.
A vacina Butantan-DV, que utiliza a tecnologia de vírus atenuado, tem como objetivo prevenir a infecção pelos quatro sorotipos do vírus da dengue e reduzir significativamente o risco de formas graves da doença. Estudos publicados na revista "Nature Medicine" indicaram alta eficácia, com até 80,5% de proteção contra dengue grave, e eventos adversos graves em proporções semelhantes entre vacinados e placebo, sem sinais de problemas de segurança em pesquisas com mais de 16 mil voluntários. Contudo, a ocorrência de efeitos adversos raros, que podem não ser detectados em fases iniciais de estudo, não pode ser descartada e reforça a necessidade da investigação em curso.
Diante deste cenário, o Ministério da Saúde recomenda que indivíduos vacinados nos últimos 21 dias fiquem atentos a sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência intensa, irritabilidade, sinais de desidratação ou piora do estado geral. Em caso de intensificação dos sintomas, é fundamental procurar uma unidade de saúde. A partir de terça-feira, 09/06/2026, o Ministério da Saúde iniciará um monitoramento ativo de casos na rede hospitalar, focando em pessoas com vacinação recente, sinais de alarme e óbitos, aglomerando dados por lote, unidade ou território para uma análise mais precisa.
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