SUSPEITA DESCARTADA
Ministério da Saúde descarta casos suspeitos de Ebola no Rio e em São Paulo
Pacientes que apresentavam sintomas e histórico de viagem para áreas de risco tiveram outras doenças confirmadas. Brasil nunca registrou caso de Ebola.
O Ministério da Saúde confirmou, nesta terça-feira, 02/06/2026, o descarte de dois casos suspeitos de Ebola que haviam sido notificados no Brasil. Um paciente no Rio de Janeiro e outro em São Paulo, ambos com histórico de viagem para países afetados pelo surto da doença, tiveram seus quadros clínicos diagnosticados como outras enfermidades.
No Rio de Janeiro, um viajante procedente de Uganda, que apresentava calafrios, tosse e diarreia, foi submetido a exames pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). As análises de amostras de saliva, urina e sangue resultaram negativas para Ebola. O diagnóstico definitivo para o paciente foi malária.
Em São Paulo, a suspeita de Ebola em um homem de 37 anos, internado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, também foi descartada. Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz (IAL) confirmaram que o paciente portava doença meningocócica.
O país jamais registrou um caso confirmado de Ebola, mas a investigação dos casos suspeitos seguiu rigorosos protocolos nacionais para febres hemorrágicas virais. Essas ações foram intensificadas a partir de 16 de maio, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a doença como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII), devido aos surtos em curso na República Democrática do Congo e em Uganda.
O surto atual é causado pela espécie Bundibugyo do Ebola, menos comum e que não era registrada há mais de uma década. A OMS reportou, até 27 de maio, 906 casos suspeitos e 223 mortes na República Democrática do Congo, além de 134 casos confirmados (incluindo nove em Uganda) com 18 óbitos.
Os sintomas iniciais do Ebola, como febre alta, dores de cabeça e musculares, fadiga, náuseas, vômitos, diarreia e dor abdominal, podem ser confundidos com outras infecções, como gripes. Essa semelhança clínica reforça a importância da análise do histórico de viagens e exposições do paciente, como ocorreu nos casos em investigação no Rio e em São Paulo.
Autoridades de saúde classificam o risco de transmissão do Ebola no Brasil como baixo. A transmissão não ocorre pelo ar, mas por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, geralmente sintomáticas. Apesar disso, o Ministério da Saúde ativou o Plano de Contingência Nacional para Febres Hemorrágicas Virais na semana passada, fortalecendo a vigilância, o monitoramento de viajantes e a capacidade de resposta do sistema de saúde. O plano não prevê fechamento de fronteiras ou restrições de viagens e comércio.
O surto com a cepa Bundibugyo apresenta desafios adicionais. Testes iniciais de sangue podem dar resultados negativos, pois são otimizados para cepas mais comuns. Não há vacina aprovada para esta espécie, embora versões experimentais estejam em desenvolvimento. O tratamento também é dificultado pela ausência de medicamentos específicos para o Bundibugyo. A ocorrência em zonas de conflito e com grande número de pessoas deslocadas e travessias de fronteiras aumenta a complexidade da situação.
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