INTEGRAÇÃO HUMANA URGENTE

Ministério da Justiça revela 2 milhões de imigrantes no Brasil

A região Norte era a principal porta de entrada dos imigrantes venezuelanos no Brasil
A região Norte era a principal porta de entrada dos imigrantes venezuelanos no Brasil

Estudo do OBMigra destaca 680 mil venezuelanos e alta de 54% na inserção formal entre 2023 e 2025.

O Brasil acolhe atualmente mais de 2 milhões de imigrantes internacionais, oriundos de 200 nacionalidades distintas e presentes em todos os estados do país, conforme revelou o 12º Relatório Anual do OBMigra (Observatório das Migrações Internacionais). O Ministério da Justiça e Segurança Pública apresentou o estudo nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, com o objetivo de subsidiar a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, editada no fim de 2025. Os dados oferecem um panorama detalhado para aprimorar a integração desses indivíduos e famílias à sociedade brasileira, reforçando o compromisso do país com a dignidade humana e o desenvolvimento social. Entre os grupos em destaque, estima-se a residência de 680 mil venezuelanos no Brasil no início de 2026, com uma notável participação de mulheres e crianças (0 a 14 anos). Haitianos, cubanos e angolanos também compõem parcelas significativas dessa população diversificada. O documento serve como base para a implementação da nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia, que substituiu a Lei de Migração de 2017. As análises abrangem a evolução dos fluxos migratórios, pontos de entrada no país, composição demográfica (sexo e idade), distribuição espacial e as estratégias de regularização desses grupos. Os resultados detalham a situação de migrantes, refugiados e apátridas sob os eixos de trabalho, educação, proteção social e governança local, oferecendo uma visão holística dos desafios e avanços em sua integração.

Política Brasileira Acolhedora

Davide Torzilli, atual representante da Acnur (Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados) no Brasil, enfatiza que a atualização dos dados públicos é crucial para enfrentar os desafios globais e regionais da mobilidade humana. “Dados confiáveis nos ajudam a responder ao desafio contemporâneo da mobilidade humana”, declarou Torzilli, sublinhando o compromisso do Brasil em fortalecer sua base de informações transparentes sobre refugiados, pessoas deslocadas à força e apátridas. Torzilli ressaltou ainda que a nova política nacional do Brasil é "única no mundo", demonstrando a consistência do país em seu compromisso com a governança de um sistema de proteção social baseado em direitos humanos, cooperação internacional e responsabilidades compartilhadas. A apresentação deste relatório precede a participação da delegação brasileira em uma reunião agendada pelas Nações Unidas, em Nova York (EUA), na próxima semana, para discutir o Pacto Global para a Migração Segura, Ordenada e Regular. Victor Semple, diretor do Departamento de Migrações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, afirmou que o governo federal formulou o Plano Nacional de Imigração Refúgio e Apatridia, estabelecido na nova política nacional. "O governo federal reafirma o compromisso com essa pauta e a vocação do Brasil enquanto país acolhedor. Também confirma a perspectiva de inclusão nas políticas de governo”, disse Semple.

Trabalho e Renda

O 12º Relatório Anual do OBMigra revela um crescimento significativo no mercado de trabalho formal para migrantes no Brasil, com um aumento de 54% entre 2023 e 2025. O número de trabalhadores imigrantes com carteira assinada superou 414,96 mil vínculos em 2025. Desse total, 43% estão alocados na produção industrial, com forte concentração no setor de abate de animais na região Sul do país. A demanda por mão de obra migrante tem crescido, refletindo um aumento de 68% nos pedidos de residência para trabalho entre 2022 e 2024, em um contexto de "pleno emprego" no Brasil, conforme apontou o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Em 2025, o mercado formal de trabalho contava com mais de 201 mil trabalhadores venezuelanos. Em seguida, os haitianos apresentaram um crescimento de 20,4% de 2023 a 2025, totalizando 51.200 formalmente contratados. Cubanos ocupam a terceira posição, com 30.700 trabalhadores formais. Apesar desses avanços, o órgão identifica um problema persistente: muitos imigrantes com ensino superior enfrentam a inconsistência de status e acabam em cargos de baixa qualificação e renda, resultando em menores ganhos. Além disso, o estudo destaca a alta informalidade entre trabalhadores domésticos migrantes; em 2024, 78,8% (1.184) atuavam sem carteira assinada, contra apenas 21,2% (318) com contrato formal. Os dados para esta análise foram obtidos da Relação Anual de Informações Sociais do Ministério do Trabalho e Emprego e da Coordenação de Imigração Laboral do Ministério da Justiça.

Proteção Social

O documento também registra um aumento expressivo no número de migrantes inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal, passando de 562.687 em 2023 para 650.683 em 2024. A predominância feminina (55,6% em 2024) é um destaque no perfil sociodemográfico. Um crescimento notável foi observado entre crianças e adolescentes migrantes (0 a 17 anos) no CadÚnico, que aumentou 18,6%, de 159.011 em 2023 para 188.531 em 2024, evidenciando a crescente necessidade de apoio a essa faixa etária vulnerável. O relatório aponta maior acesso a programas sociais, como o Bolsa Família: em 2023, 302.497 dos 562.687 migrantes cadastrados no CadÚnico eram beneficiários. Para otimizar esse acesso, o documento sugere reduzir o tempo entre o cadastramento e a obtenção de benefícios, ampliando a transparência sobre critérios e etapas, além de aperfeiçoar a gestão das filas de acesso.

Localização

Os dados do CadÚnico mostram uma concentração de migrantes em poucas unidades da Federação, sobretudo em grandes centros econômicos e estados estratégicos para a migração. Em 2024, São Paulo liderou com 140.033 registros, seguido por Paraná (102.046) e Roraima (86.845). Santa Catarina (71.055) e Rio Grande do Sul (61.386) também se destacam como polos de atração e permanência para a população migrante.

Educação

O estudo revela um crescimento constante nas matrículas de estudantes imigrantes na educação básica, com um salto de 41.916 para 224.924 entre 2010 e 2024, um aumento de 437%. Esse número inclui alunos da educação profissional técnica de nível médio e da EJA (Educação de Jovens e Adultos). No ensino superior, a presença de migrantes também cresceu 77,5%, de 16.696 em 2010 para 29.635 em 2023, indicando um esforço contínuo de inclusão e acesso à educação em todos os níveis.

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