GOVERNO PROTEGE CIDADÃO
Ministério da Fazenda criará extrato unificado para apostadores monitorarem gastos
Nova ferramenta, prevista para 2026, consolidará depósitos e retiradas em todas as plataformas de apostas. Iniciativa visa combater endividamento e problemas de saúde mental relacionados ao jogo.
O Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria de Prêmios e Apostas, está desenvolvendo um extrato financeiro unificado para usuários de casas de apostas online. A secretária Daniele Correa Cardoso anunciou, em entrevista ao UOL nesta quarta-feira, 17 de junho de 2026, que a novidade será disponibilizada ao longo do ano. Essa iniciativa, parte da agenda regulatória para o biênio 2026-2027, visa oferecer maior controle e clareza sobre os gastos com apostas, impactando diretamente a dignidade e o bem-estar financeiro dos cidadãos.
A decisão de criar o extrato surge como resposta às crescentes preocupações do governo federal com o endividamento da população e os efeitos das apostas no orçamento das famílias brasileiras. O sistema funcionará como um painel consolidado, permitindo que cada apostador visualize seu padrão de uso em diferentes plataformas, reunindo informações cruciais sobre o total depositado e o montante retirado.
"Estamos estudando para ofertar esse serviço para o cidadão ao longo deste ano", declarou Cardoso ao UOL, reforçando o compromisso em prover uma ferramenta que empodere o indivíduo. A secretária explicou que o objetivo é fornecer uma visão completa da movimentação financeira no setor, detalhando em quantas casas o usuário possui cadastro e os valores transacionados.
Integrado à plataforma de autoexclusão já existente, o novo extrato permitirá ao apostador monitorar seu próprio perfil de jogo. "A gente disponibiliza [no sistema de autoexclusão] um autoteste da saúde, um autoteste financeiro e um curso desenvolvido com a Secretaria Nacional do Consumidor", acrescentou Cardoso, destacando os recursos de apoio já oferecidos.
A plataforma de autoexclusão voluntária, em operação há seis meses, já registrou 603 mil solicitações de afastamento das casas de apostas, em um universo de 25 milhões de usuários cadastrados. Deste total, 240 mil pedidos, ou 40%, foram motivados por perda de controle ou danos à saúde mental, evidenciando a necessidade de mecanismos de prevenção e controle mais eficazes.
Atualmente, o sistema permite que o apostador defina períodos de afastamento de 1, 3, 6, 9 ou 12 meses, mediante aceitação dos termos estabelecidos. O Ministério da Fazenda reitera que a iniciativa representa um avanço ético e técnico na regulamentação do mercado de apostas, buscando garantir a proteção e a dignidade dos brasileiros.
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