JUROS EM UM DÍGITO
Ministério da Agricultura pleiteia juros abaixo de 10% para custeio no Plano Safra 2026/27
Secretário de Política Agrícola, Guilherme Campos, afirmou que pleito visa facilitar o acesso ao crédito rural, essencial diante de taxas elevadas e dificuldades recentes do setor.
O Ministério da Agricultura defende que as linhas de custeio do Plano Safra 2026/27 ofereçam taxas de juros em um dígito. A declaração foi feita pelo secretário de Política Agrícola da pasta, Guilherme Campos, à CNN. A proposta, encaminhada ao Tesouro, Ministério da Fazenda e Casa Civil, busca mitigar o encarecimento do crédito rural e assegurar que os produtores consigam acessar os recursos oficiais, especialmente em um cenário de juros elevados. No ciclo atual, a taxa de custeio empresarial atingiu 14% ao ano, enquanto a Selic estava em 15% ao ano no momento do anúncio do plano.
Campos destacou que a discussão sobre taxas de financiamento mais baixas tornou-se crucial devido às dificuldades enfrentadas pelo setor nos últimos ciclos agrícolas, agravadas pela taxa básica de juros, que atua como um inibidor de crédito. Ele ressaltou que experiências recentes demonstram um aumento na procura pelas linhas de financiamento quando as taxas são mais acessíveis, citando como exemplo as operações destinadas à agricultura familiar, que tiveram adesão total com taxas de até 4% e 6% ao ano.
No Plano Safra atual, foram anunciados R$ 516,2 bilhões para a agropecuária, porém, o Tesouro Nacional conseguiu equalizar juros para apenas R$ 113,8 bilhões, menos de um quarto do total, devido à falta de garantias. O secretário expressou receio de que essa situação se repita no próximo ciclo, caso o seguro rural e o endividamento não sejam abordados em conjunto com o Plano Safra.
Apesar das negociações em andamento, Campos descartou qualquer possibilidade de adiamento do anúncio do Plano Safra 2026/27. Ele enfatizou que o calendário agrícola, determinado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), impõe prazos que não podem ser alterados por decisões políticas. "Esse calendário nem a política consegue mudar", afirmou.
Quanto ao volume de recursos para o próximo ciclo, Campos sinalizou que o Plano Safra deve se aproximar do montante solicitado pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que pleiteou R$ 623 bilhões, um aumento de 53,5% em relação ao ciclo anterior. Contudo, ele ponderou que o volume não é a principal preocupação, mas sim o acesso efetivo aos recursos. "O que mais preocupa é o acesso a esse recurso — do jeito que está, pode repetir o que está acontecendo com o financiamento, que tem recurso mas não chega."
Para reverter esse quadro, Campos acredita que a adequação do seguro rural e a gestão da dívida precisam ser tratadas em conjunto com o Plano Safra, de forma a atender às necessidades do setor neste momento. A definição das taxas de juros é vista como um dos pontos centrais da negociação do próximo Plano Safra, com anúncio previsto para o final de junho.
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