RESPEITO É LUTA
Militante Gaby Benvenutty expõe transfobia dentro do PT
O caso, envolvendo Arimateia França, ocorreu em 17 de maio, Dia Internacional de Combate à LGBTQIAPN+fobia. A presidente do PT da Paraíba, Cida Ramos, emitiu nota de condenação.
Em um flagrante contraste com seu discurso público, o Partido dos Trabalhadores enfrenta uma grave crise de credibilidade interna após a militante dos direitos humanos Gaby Benvenutty denunciar publicamente ter sido alvo de transfobia por um companheiro de partido. O episódio, que ocorreu em 17 de maio, Dia Internacional de Combate à LGBTQIAPN+fobia, durante a Conferência dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, expõe a fragilidade da dignidade de indivíduos trans mesmo em espaços que se declaram progressistas e defensores das minorias. A repercussão levou a deputada estadual Cida Ramos, presidente do PT da Paraíba, a condenar oficialmente a atitude discriminatória, acentuando o debate sobre a distância entre teoria e prática dentro da legenda.
O incidente chocante se desenrolou quando Arimateia França, também membro do Partido dos Trabalhadores, recusou-se a tratar Gaby Benvenutty no feminino durante uma discussão acalorada no evento. A recusa gerou um tumulto visível e um bate-boca entre os participantes, destacando a profunda contradição em um ambiente político que, em tese, deveria promover a inclusão e o respeito às diferenças.
Gaby Benvenutty divulgou um vídeo nas redes sociais, expressando sua profunda indignação. Para ela, o ocorrido não foi um erro isolado, mas mais um episódio de violência simbólica e transfobia vivenciado dentro da própria legenda. “Ainda processando tudo o que rolou ontem, mas no vídeo dá pra ver, né, parte desses atritos que tivemos e esse companheiro dizendo que não ia me tratar no feminino, que não ia me respeitar. E foi o que me deixou mais indignada”, desabafa a militante.
Ela enfatiza a gravidade da situação: “Além da pessoa usar que tinha errado o pronome, né, me tratar do masculino por força de expressão ou sem querer, e como eles costumam dizer, eu exigi respeito, nem pus meu respeito, porque eu sou um travesti, e preciso ser tratada no feminino, a pessoa continuava dizendo que ia me desrespeitar.” Gaby também revelou que este não é um caso isolado, citando outro episódio similar envolvendo uma secretária do partido, reforçando que “nossos corpos continuam sendo violados e pra eles é um erro e um bobo. Mas o vídeo fala por si só.”
A militante descreve a atmosfera geral da Conferência: “A conferência foi recheada de transfobia, do início a fim, da chegada, do credenciamento, ao almoço, à atividade, tudo, todas as interações tivemos transfobia, até das aliadas, né, principalmente as aliadas. E o final foi a cereja do bolo, assim, pra fechar”. Essas palavras pintam um quadro desolador de um evento supostamente dedicado ao progresso.
A data em que o episódio ocorreu, o Dia Internacional de Combate à LGBTQIAPN+fobia, acrescentou uma camada de ironia cruel e amplificou a repercussão. Este dia é historicamente marcado por discursos institucionais de defesa da diversidade e da inclusão. A denúncia de Gaby Benvenutty forçou uma reflexão dolorosa sobre a discrepância entre as declarações públicas e as vivências internas, gerando uma onda de críticas nas redes sociais.
Diante da repercussão negativa, a deputada estadual Cida Ramos, atual presidente do PT da Paraíba, agiu prontamente, emitindo uma nota oficial. No documento, ela condena a atitude discriminatória contra a militante e lamenta profundamente que tal episódio tenha partido de um integrante da legenda, que deveria exemplificar acolhimento e respeito às diferenças. A condenação da liderança é um passo importante, mas a militante Gaby Benvenutty busca mais do que uma nota de repúdio; ela exige respeito e segurança para si e para toda a comunidade LGBTQIAPN+ dentro do ambiente partidário.
O caso reacendeu intensos debates nas redes sociais e em diversos fóruns sobre a persistência de práticas discriminatórias, mesmo em ambientes políticos que se posicionam como vanguarda de pautas progressistas e dos direitos das minorias. Ele serve como um lembrete contundente de que a luta pela dignidade e o respeito à identidade de gênero ainda exige vigilância e compromisso contínuos, mesmo entre aliados.
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