ALIANÇA FRAGILIZADA
Michelle Bolsonaro critica Ciro Gomes e expõe racha no PL
Família Bolsonaro divide-se sobre a aproximação de Ciro com o Partido Liberal para eleições no Ceará.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro intensificou sua oposição à possível aliança entre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e o Partido Liberal (PL), legenda de Jair Bolsonaro. Nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, Michelle publicou no Instagram um vídeo de 2019 em que Ciro Gomes proferia duras críticas ao então presidente, Jair Bolsonaro, chamando-o de “jumento” e “burro”. A investida pública de Michelle sublinha as profundas divergências dentro da base aliada de Jair Bolsonaro, revelando uma cisão que abala a estratégia política do PL para o Nordeste e pode gerar impacto significativo na corrida eleitoral do Ceará.
No vídeo resgatado por Michelle, oriundo de uma entrevista concedida por Ciro Gomes ao canal MyNews em 2019, o ex-governador do Ceará não poupa palavras ao analisar o então presidente. Ele afirmou que, para compreender Jair Bolsonaro, seria necessário analisar “a psicologia de um homem quase doente”, além de usar termos como “burro”, “jumento” e de dizer que o então presidente teria “horror aos letrados”. Tais declarações, agora reexpulstas, reacendem o debate sobre a ética na retórica política e o peso das palavras em contextos de polarização.
Ao compartilhar o conteúdo, Michelle Bolsonaro expressou sua indignação com a legenda: “E ainda há pessoas da ‘direita’ apoiando esse indivíduo”, uma crítica velada e direta aos que defendem a aproximação. Este novo embate surge em um momento crucial de articulações políticas, à medida que Ciro Gomes se aproxima do Partido Liberal (PL). Michelle já havia manifestado sua contrariedade com esse acordo em dezembro do ano passado, 2025, opondo-se à união de setores da direita com o político cearense, que se apresenta como pré-candidato ao governo do Ceará.
A postura da ex-primeira-dama provocou uma reação interna na família Bolsonaro. Os filhos do ex-presidente — Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro — saíram em defesa de Ciro Gomes, argumentando que a articulação contava com o aval de seu pai, Jair Bolsonaro. Esse episódio resultou em um desgaste público familiar considerável, expondo as tensões e diferentes visões sobre o futuro político do grupo.
Diante da repercussão negativa, Michelle Bolsonaro divulgou uma nota pública. Nela, a ex-primeira-dama reafirmou seu respeito pela opinião dos enteados, mas fez questão de frisar seu direito à manifestação. “Peço aos meus enteados que me entendam e me perdoem. Não foi minha intenção contrariá-los”, declarou, buscando amenizar o atrito sem recuar de sua posição.
Ciro Gomes, que já atuou como ministro da Integração Nacional no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, distanciou-se do Partido dos Trabalhadores (PT) e tornou-se um crítico ferrenho do atual governo. No cenário político cearense, ele posiciona-se como um dos principais oponentes do governador Elmano de Freitas, intensificando a rivalidade regional.
No início de abril de 2026, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, admitiu que a região Nordeste representa um desafio eleitoral significativo para o partido. Ele defendeu a formação de alianças estratégicas na área, sinalizando a possibilidade de uma composição com Ciro Gomes para a disputa pelo governo do Ceará como parte vital dessa estratégia. A resistência de Michelle Bolsonaro, no entanto, adiciona uma camada de complexidade a esses planos eleitorais.
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