TERRAS RARAS NO BRASIL

Meteoric avança em Poços de Caldas e inicia estudos para refino de terras raras

Planta piloto de produção de carbonato de terras raras em Poços de Caldas, MG
Carbonado de terras raras produzido na planta piloto da mineradora Meteoric, em Poços de Caldas, MG

A empresa australiana Meteoric deu um passo importante para a cadeia produtiva nacional. A decisão visa atender à crescente demanda por componentes de alta tecnologia e transição energética, impulsionando a economia regional e a autonomia do país no setor.

A empresa australiana Meteoric anunciou, nesta quinta-feira, 21/05/2026, o início de estudos para a etapa de refino de terras raras em Poços de Caldas, MG. A decisão representa um avanço significativo para a cadeia produtiva nacional, pois visa atender à crescente demanda global por componentes de alta tecnologia e tecnologias de transição energética. Com essa iniciativa, a Meteoric busca aprimorar a separação individual dos 17 elementos químicos desse grupo, o que é crucial para aplicações em indústrias estratégicas. A importância reside no potencial de impulsionar a economia regional, gerar empregos qualificados e reduzir a dependência brasileira de processos de refino no exterior, fortalecendo a autonomia do país no setor de minerais críticos.

Atualmente, a Meteoric já opera uma planta-piloto em Poços de Caldas, responsável pela produção de carbonatos de terras raras. Este material, um pó branco, concentra os 17 elementos do grupo encontrados no Planalto da cidade. A nova fase de estudos foca no refino, processo que permite isolar cada elemento individualmente, um passo essencial para seu uso industrial.

Quatro elementos se destacam por seu caráter estratégico: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Estes são fundamentais na fabricação de superímãs para motores elétricos e outras tecnologias de ponta associadas à transição energética global.

Em entrevista à EPTV, Éder Santo, diretor de sustentabilidade da Meteoric, explicou a lacuna tecnológica que o Brasil enfrenta. "Hoje, a produção que existe no Brasil é de carbonato de terras raras. Como você bem explicou, esse carbonato contém todos os 17 elementos de terras raras. E, para você poder utilizar esses metais, cada um deles, que tem um uso específico na indústria de tecnologia e na indústria de transição energética, você precisa fazer a separação de cada um deles", pontuou.

A empresa já realiza testes em laboratório para desenvolver a tecnologia de separação, com prioridade nos elementos de maior valor de mercado. "O próximo passo que a empresa já está estudando é a separação de óxidos dos elementos de terras raras, dentre eles o disprósio, o térbio, o neodímio e o praseodímio, que são os mais valiosos e aqueles aplicados em tecnologias de alta demanda hoje no mercado mundial", acrescentou Santo.

Apesar do avanço nos estudos de refino, o foco principal da Meteoric, no momento, permanece no licenciamento ambiental do projeto Caldeira. Este projeto abrange a extração da argila rica em terras raras e a produção de carbonato em escala industrial. Em março de 2026, a empresa protocolou toda a documentação necessária para solicitar a licença de construção.

A ideia é replicar o modelo de sucesso da planta-piloto de carbonatos, que já produz cerca de 2 quilos por dia, criando também uma planta-piloto para a separação de óxidos. O licenciamento para esta nova estrutura de refino só ocorrerá após o domínio da tecnologia e o início da operação da planta principal.

O Brasil detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, com 21 milhões de toneladas, representando 23% do total global, segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME). O Planalto de Poços de Caldas, em MG, é considerado uma das áreas mais promissoras devido à alta concentração de minérios em argila superficial, permitindo extração menos invasiva.

A disputa global por esses minerais é intensa, pois são essenciais para setores como tecnologia, energia renovável e defesa. O Planalto de Poços de Caldas, com aproximadamente 800 km², tem potencial estimado para gerar 300 milhões de toneladas de terras raras.

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