INDICADORES DE EMPREGO

Mercado de trabalho registra recorde nacional enquanto RN trava na criação de vagas

Carteira de trabalho em destaque com ambiente de trabalho desfocado ao fundo.
Carteira de Trabalho e Previdência Social segurada por uma mão, com pessoas desfocadas ao fundo — Foto: Jos\u00e9 Aldenir/Agora RN

Brasil atinge o menor índice de desemprego da série histórica da Pnad Contínua, mas dados do Novo Caged revelam desaceleração severa na abertura de postos formais no RN.

A taxa de desemprego no Brasil atingiu o menor patamar da série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012, ao cair para 5,3% no trimestre encerrado em julho. A marca foi confirmada pelo IBGE em dados divulgados na quinta-feira (27/08), evidenciando um cenário de expansão no mercado de trabalho nacional que, contudo, reflete de forma heterogênea no Rio Grande do Norte.

Enquanto o país celebra um recorde de 103,3 milhões de pessoas ocupadas, o Rio Grande do Norte vive um paradoxo: embora a taxa de desocupação estadual tenha recuado para 5,6% no segundo trimestre — uma queda significativa frente aos 7,6% observados no período anterior —, a geração de vagas com carteira assinada sofreu uma estagnação preocupante.

Levantamentos realizados pelo Agora RN junto à base Sidra indicam que, apesar da redução no desemprego, a criação de postos de trabalho formais despencou. Conforme os registros do Novo Caged, o estado abriu apenas 716 vagas formais ao longo do primeiro semestre. O volume representa uma queda drástica de 89,4% em comparação às 6.744 oportunidades criadas no mesmo intervalo de 2025.

O impacto desta retração é sentido diretamente pelos trabalhadores e pela economia local. Com apenas 287 novos postos em junho, o Rio Grande do Norte registrou o saldo mais baixo do Nordeste. Setores como serviços, construção e comércio foram os únicos pilares que mantiveram o saldo positivo, sustentando o mercado local diante das dificuldades de expansão.

O fenômeno de redução da desocupação acompanhado por escassez de vagas formais reflete um ajuste estrutural. A ABIH-RN, por exemplo, aponta que a dificuldade em encontrar profissionais qualificados tem sido um entrave, levando a entidade a oferecer 400 vagas em cursos de capacitação para o setor de turismo.

A disparidade entre os indicadores da Pnad Contínua e do Novo Caged ocorre porque as metodologias divergem: a Pnad considera todas as formas de ocupação, incluindo o mercado informal e quem busca trabalho, enquanto o Caged contabiliza estritamente os empregos celetistas. O Ministério do Trabalho deve atualizar o detalhamento estadual do Caged de julho até o encerramento do mês.

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