CRESCIMENTO ROBUSTO
Mercado automotivo do Rio Grande do Norte cresce mais de 20% em 2026, impulsionado por motos e novas montadoras
Arnon César Ramos e Silva, diretor da Fenabrave-RN, analisa os fatores por trás do avanço, que inclui maior cautela dos bancos e entrada de veículos chineses. Profissionais do setor discutem impactos de mudanças trabalhistas.
O mercado automotivo do Rio Grande do Norte demonstrou resiliência em 2026, registrando um crescimento superior a 20% em comparação ao mesmo período de 2025. A análise foi apresentada por Arnon César Ramos e Silva, presidente do Sincodiv-RN e diretor-geral regional da Fenabrave-RN. O avanço é impulsionado pela forte demanda no segmento de motocicletas e pela chegada de novas montadoras estrangeiras, que redesenham as estratégias de vendas, financiamento e infraestrutura no estado. Este cenário econômico, embora desafiador em âmbito global e nacional, tem apresentado oportunidades para o setor.
Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, Arnon César Ramos e Silva analisou a sustentabilidade desse crescimento, as mudanças no comportamento do consumidor potiguar e os desafios operacionais para o restante do ano. O executivo destacou que, apesar das complexidades econômicas, a concessão de crédito tem sido um fator crucial para o setor de automóveis, com consumidores mantendo a aquisição de veículos. A entrada de carros chineses com tecnologia híbrida e elétrica também desperta o interesse do público, incentivando a troca de veículos.
O segmento de motocicletas lidera o crescimento estadual, respondendo por mais de 60% do mercado. O aumento da procura por motos é atribuído à expansão de serviços de delivery e à relevância do aplicativo MotoUber, além de fatores econômicos que favorecem a escolha deste modal. Diante de um cenário de taxas de juros elevadas, observa-se também um crescimento na modalidade de pagamento à vista e em consórcios, que não incidem juros, tornando-se alternativas mais vantajosas para os consumidores.
Ramos e Silva ressaltou que o consumidor está mais cauteloso, mas, principalmente, os bancos aumentaram a exigência na concessão de crédito. Com o cenário de endividamento e inadimplência em alta, as instituições financeiras adotam métricas mais rigorosas, pedindo entradas maiores e prazos de financiamento menores, o que pode gerar retração. Essa postura contrasta com o expansionismo bancário observado anos atrás, com parcelamentos extensos e sem entrada, prática que se mostrou problemática.
A expansão de veículos elétricos e híbridos, especialmente com a forte entrada da indústria chinesa, tem tornado o mercado mais competitivo. Concessionárias do Rio Grande do Norte têm investido na chegada de novas marcas, e praticamente todas as montadoras presentes no Brasil já atuam no mercado local. O consumidor, ao considerar a compra de um veículo acima de cem mil reais, já inclui a possibilidade de adquirir um modelo chinês, híbrido ou elétrico. Os híbridos de maior porte e os carros elétricos urbanos, considerados o segundo carro da casa, têm se destacado nas vendas.
O principal gargalo para o avanço dos carros elétricos no Rio Grande do Norte, assim como globalmente, é a infraestrutura de recarga. Embora o uso urbano seja facilitado pela possibilidade de carregamento em casa, viagens mais longas exigem programação e paradas extensas. A energia solar, no entanto, surge como um diferencial local para baratear o custo de carregamento. A escassez de postos de recarga públicos ainda favorece a venda de modelos híbridos.
Quanto a uma eventual mudança na escala de trabalho, como o fim da escala 6x1, Arnon César Ramos e Silva apontou que o custo de operação das empresas aumentará, com impactos variados por setor. Ele avalia que o setor de concessionárias, por ter múltiplos negócios (venda de novos, serviços, revisão, funilaria), possui capacidade de adaptação. A discussão envolve a quantidade de horas trabalhadas, e não apenas a escala. A transição exigirá acomodação e poderá gerar perda para as empresas, com possível repasse de custos ao consumidor.
A chegada de novas marcas, sobretudo as chinesas, beneficia o consumidor com maior concorrência, que se traduz em mais oportunidades de preço, qualidade e tecnologia. As concessionárias, por sua vez, precisam focar em prestação de serviço e fidelização de clientes para reter seu público. Essa dinâmica competitiva incentiva as marcas a aprimorar suas ofertas e a buscar diferenciais para atrair e manter os consumidores.
Para o restante de 2026, a projeção é de um ano desafiador, especialmente devido a eventos como a Copa do Mundo, que não beneficia diretamente o setor automotivo como outros segmentos. Contudo, apesar dos desafios, a expectativa é de continuidade do crescimento, com as empresas precisando navegar por períodos cíclicos. A capacidade de adaptação e a busca por estratégias eficazes serão fundamentais para superar os obstáculos e manter o desempenho positivo do mercado.
Arnon César Ramos e Silva, que também é empresário e administrador, acumula mais de duas décadas de experiência no setor automotivo do Rio Grande do Norte. Ele é diretor-geral do Grupo Dunas e cumpre seu segundo mandato como presidente do Sincodiv-RN e diretor-geral regional da Fenabrave-RN, consolidando sua trajetória no segmento.
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