CONTAS PÚBLICAS PIORAM

Mercado aumenta projeção do déficit público para R$ 59 bilhões em 2026

Fachada do Ministério da Fazenda
Fachada do Ministério da Fazenda.

Relatório Prisma Fiscal indica revisão para R$ 59 bilhões no déficit primário em 2026, com aumento também nas estimativas para 2027.

As projeções do mercado para as contas públicas em 2026 pioraram, segundo o relatório do Prisma Fiscal de junho. Divulgado nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o levantamento aponta para um aumento na estimativa do déficit público.

A mediana das expectativas para o resultado primário do governo central em 2026 passou de um déficit de R$ 57,8 bilhões para R$ 59 bilhões. Para 2027, a estimativa também piorou, saindo de um déficit de R$ 48 bilhões para R$ 54,7 bilhões. Essas revisões refletem um cenário de maior pressão sobre as finanças públicas e impactam diretamente a capacidade do governo de realizar investimentos e de gerir a economia, gerando incertezas para o planejamento financeiro de longo prazo.

Fachada do Ministério da Fazenda

O levantamento do Prisma Fiscal, que coleta as expectativas do mercado sobre as contas públicas brasileiras, também mostrou um aumento na projeção do déficit nominal. Este indicador, que inclui as despesas com juros da dívida, passou de um resultado negativo de R$ 1,05 trilhão para R$ 1,08 trilhão em 2026. Em 2027, a estimativa subiu de R$ 1,06 trilhão para R$ 1,09 trilhão, evidenciando a escalada dos encargos com o serviço da dívida pública.

Apesar do aperto nas contas fiscais, as expectativas para a dívida pública bruta do governo geral permaneceram praticamente estáveis. A mediana para 2026 ficou em 83% do PIB, mesmo patamar do relatório anterior. Para 2027, houve uma leve alta, de 86,45% para 86,5% do PIB, indicando que o endividamento público segue em patamar elevado, exigindo atenção para a sustentabilidade fiscal a longo prazo.

Na arrecadação, as estimativas para as receitas federais foram revisadas para cima, passando de R$ 3,14 trilhões para R$ 3,16 trilhões em 2026, e de R$ 3,33 trilhões para R$ 3,35 trilhões em 2027. As despesas totais também foram ajustadas para cima, de R$ 2,62 trilhões para R$ 2,62 trilhões em 2026 e de R$ 2,76 trilhões para R$ 2,78 trilhões em 2027, demonstrando uma tendência de aumento nos gastos governamentais.

Inflação e Atividade Econômica

No cenário macroeconômico, a principal alteração foi a alta nas projeções de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). A mediana para 2026 avançou de 4,75% para 5,18%, e para 2027, passou de 4% para 4,18%. Esses aumentos podem pressionar o poder de compra da população, especialmente para os segmentos de baixa renda cujos reajustes de aposentadorias e pensões são atrelados a este índice.

As expectativas para a atividade econômica apresentaram uma melhora ligeira. A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) nominal subiu de R$ 13,56 trilhões para R$ 13,57 trilhões em 2026, e de R$ 14,41 trilhões para R$ 14,45 trilhões em 2027. O deflator do PIB, indicador amplo de inflação da economia, passou de 4,81% para 5,14% neste ano, refletindo um cenário de pressões inflacionárias persistentes.

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